Adolescentes fumantes são mais propensos a obesidade abdominal

Pesquisa do Inca identifica aumento de 130% na circunferência abdominal entre os meninos fumantes e de 60% nas meninas

Por RENAN SCHUINDT

Estimativa é que 100 mil adolescentes façam uso do tabaco diariamente no Brasil
Estimativa é que 100 mil adolescentes façam uso do tabaco diariamente no Brasil -

Rio - Adolescentes que fumam diariamente são mais propensos a obesidade abdominal do que os não fumantes. Esta é a conclusão de uma pesquisa divulgada pelo Inca e o Ministério da Saúde, em razão do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado hoje. Segundo os pesquisadores, foi identificado nesses adolescentes um aumento de 130% da circunferência abdominal entre os meninos fumantes, se comparado aos não fumantes. Nas meninas, o aumento foi de 60% nas fumantes em comparação ao grupo que não fuma. O levantamento foi realizado com jovens entre 15 e 17 anos.

A obesidade abdominal (definida no estudo pela circunferência de cintura elevada) é um indicativo do acumulo de gordura nessa região, e representa um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, câncer e diabetes. 

Chamado de “Avaliando a relação entre tabagismo abdominal em uma pesquisa nacional entre adolescentes no Brasil”, o estudo mostra a coexistência de dois fatores de risco - tabagismo e obesidade - em uma idade que é preocupante. O tabagismo está diretamente relacionado ao câncer de pulmão e a obesidade abdominal é fator de risco para diabetes e doenças cardiovasculares.

NICOTINA

Os pesquisadores ressaltam que, a relação do cigarro com a obesidade nos adolescentes avaliados não pode ser firmada a partir dessa pesquisa, mas destacam que trabalhos anteriores indicaram a nicotina como possível razão dessa associação. Isso porque, a nicotina (substância do fumo que causa dependência) aumenta a resistência à insula, proporcionando crescimento das áreas de depósito de gordura na região do abdômen.

ASSOCIAÇÃO

De fato, um estudo recém-publicado no British Medical Journal, revela que algumas variantes genéticas associadas com obesidade são também associadas com tabagismo. O estudo usou a randomização mendeliana, uma ferramenta genética usada para reforçar uma relação de causa efeito e minimizar os fatores confundidores ou uma causalidade reversa. Isto é, quando o suposto fator causal de fato é o efeito. Como explica Amélio Godoy, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. "Isto sugere que os genes estariam associados a comportamentos compulsivos como comer, beber e fumar. Por outro lado outro estudo com a mesma metodologia mostra que fumantes pesados podem ser mais magros, porém, com maior gordura abdominal", diz o especialista.

Ainda de acordo com Godoy, esse fenômeno já é bem conhecido. "Dois outros aspectos comportamentais associam o cigarro com o peso: a liberação da adrenalina e noradrenalina, que faz um indivíduo gastar mais energia. Ao cessar o tabagismo, além de haver maior apetite, o gasto metabólico diminui. O ganho de peso vem em seguida. Por isso alguns indivíduos voltam a fumar para não ganhar peso, principalmente as mulheres", conclui. 

Segundo os pesquisadores do Inca, o Brasil conta com aproximadamente 100 mil adolescentes que fumam diariamente. Para eles, uma mudança de comportamento e a adoção de hábitos saudáveis é necessária para evitar as consequências a curto prazo, além de um risco maior para o desenvolvimento de doenças crônicas na fase adulta. 

 

Galeria de Fotos

Estimativa é que 100 mil adolescentes façam uso do tabaco diariamente no Brasil Reprodução de Internet
Estimativa é que 100 mil adolescentes façam uso do tabaco diariamente no Brasil. Reprodução de Internet
Estimativa é que 100 mil adolescentes façam uso do tabaco diariamente no Brasil Reprodução de internet

Últimas de Vida Saudável