A realidade do autismo

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas possuem o Transtorno do Espectro Autista. No mundo, o número chega a 70 milhões

Por Felipe Gavinho*

Autismo
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo, é um tipo de deficiência neurológica que engloba indivíduos que possuem comprometimentos significativos em três áreas: comunicação, interação social e comportamento. Eles podem se manifestar de forma conjunta ou isolada, e suas gradações podem ser leve, moderada ou grave.

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas possuem o TEA. No mundo, o número chega a 70 milhões. É importante destacar que o autismo não é considerado uma doença: é uma deficiência neurológica que interfere diretamente na maneira como o indivíduo percebe o mundo e na interação com tudo ao seu redor. 

Alguns estudos apontam a causa para uma predisposição genética. Porém, já foi comprovado que a hereditariedade justificaria apenas metade do risco de apresentar o transtorno. Há ainda quem relate como possibilidades do desenvolvimento do TEA elementos como estresse, infecções, contato com substâncias tóxicas e algumas outras complicações durante a gravidez impactantes ao feto.

Segundo Joanna Miranda, psicomotricista e pedagoga, os primeiros sinais de autismo podem aparecer já no primeiro ano de vida. "Nos primeiros 12 meses, as crianças apontam para aquilo que desejam, têm mais interesse pelas pessoas do que por objetos e fazem contato visual quando são chamadas. Já as crianças com a deficiência priorizam os objetos, não sustentam o contato visual e não apontam e nem batem palmas", explica.

*Estagiário sob supervisão de Bete Nogueira

Tratamento multidisciplinar

O tratamento do autismo não é feito somente por um profissional. Ele é multidisciplinar, ou seja, precisa de especialistas de várias áreas. O diagnóstico é clínico, normalmente feito por um neurologista, que pode ou não solicitar exames complementares. O acompanhamento deve ser feito por uma equipe que engloba fono, terapeuta ocupacional, psicomotricista, psicopedagoga e ainda pediatra, neurologista e psiquiatra.

Os cuidados são individualizados e específicos, porém, há algumas atividades que são consideradas gerais. A psicomotricista ressalva quais são elas. "É importante trabalhar a comunicação funcional, jogos e brincadeiras que estimulem a interação. Há ainda outras abordagens terapêuticas como o ABA (análise aplicada do comportamento), que trabalha no reforço dos comportamentos positivos", detalha Joanna.

Vale lembrar que a família é um agente essencial de intervenção. É fundamental que os profissionais que estão realizando o tratamento orientem os familiares. Essa parceria entre família e profissionais é uma grande aliada no desenvolvimento da criança que apresenta o TEA.

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