Washington Quaquá: Quem sabe fazer e quem sabe falar! — II

Não podemos repetir a mesma política dos nossos governos anteriores

Por O Dia

Rio - O Partido dos Trabalhadores é o maior fenômeno social e político da história do Brasil. Constituiu-se a partir da organização dos debaixo e, quando chegou ao poder, com todas as concessões, acordos e alianças que teve que fazer para chegar e governar, mesmo assim, não traiu os interesses do povo. Mas, mesmo apesar de todos os nossos feitos, há muita gente que insiste em não reconhecer.

Tenho repetido que não foi a revolução cubana que tirou 35 milhões de seres humanos da miséria. Os cubanos e seus feitos épicos e heroicos tiraram os 13 milhões de cubanos da miséria. Nós tiramos 35 milhões! Não foi o Podemos espanhol que construiu e garantiu ao povo quatro milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida.

Não foram os gregos do Siriza ou o Melanchon da frente Gauche francesa que mudaram a face das universidades públicas e da sociedade dobrando as vagas e colocando milhões de negros e pobres no ensino superior. Não foi a esquerda portuguesa, com a bela aliança entre o PS revigorado e a Frente de Esquerda que garantiu assistência médica a 30 milhões de seres humanos que dificilmente conseguiam ver um médico na vida, através do Programa Mais Médicos! Eu poderia usar todas as páginas do jornal O DIA e não ia dar pra falar de todos os feitos civilizatórios do Lula e do PT.

É claro que nós cometemos erros e não devemos empurrar esta poeira para debaixo do tapete. Mas a autocrítica não pode ser autoflagelação ou autodemolição.

O maior dos erros foi ter sido acometido pela velha ilusão no caráter democrático e nacional das classes ricas do Brasil. Nós tivemos a ilusão de que a democracia tinha algum valor para eles. Não tem! Eles agem com a democracia como seus filhos quando chamam os amigos pobres para jogar futebol no campo da sua casa. Dona do campo, dona da bola e patrão do juiz... quando perde, pega a bola debaixo do braço e acaba com o jogo!

E temos que fazer na prática a autocrítica! Foram estes erros que na verdade fizeram com que não tivéssemos tido potência política e social para avançar nas reformas necessárias para se construir cada dia mais uma sociedade mais justa e um estado de bem-estar social.

Mas não nos iludamos. Nossa luta principal é para barrar os golpistas e suas políticas antipovo e antinação. Para garantir eleições diretas justas e limpas, com Lula concorrendo. Ao disputar, ganhará o pleito. Ao vencer, precisa governar e fazer alianças.

Não podemos repetir a mesma política dos nossos governos anteriores. É verdade que erramos na dose ou na ingenuidade na política de conciliação de classe! Mas não vamos jogar fora a criança junto com a água do banho.

Não vamos fazer revolução em 18; dificilmente teremos maioria no Congresso; portanto, vamos ter que operar na vida real. A diferença é que agora aprendemos que a democracia não é um compromisso burguês; que as instituições não são neutras nem republicanas; que nossos aliados ao centro são circunstanciais; e o que sustentará um ciclo longo de mudanças e reformas que se aprofundam no tempo é e somente o povo organizado. E nós temos que usar a máquina e as políticas de governo (sociais, culturais e econômicas) para organizar nosso povo. Só assim teremos força de dissuadir e impedir golpes e avançar nas reformas.

Lula não é Lenin!

O Brasil não é a Rússia de 17!

Nem nós somos a esquerda que fala muito e organiza pouco. Que teoriza regras mas não pisa na lama onde está o povo. Que acorda penteada e cheirosa porque não vive e não muda a realidade concreta do povo. Nós, do PT, somos a esquerda que mudou e muda concretamente a vida do povo! Quantas vidas nossos críticos mudaram mesmo!?

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