Desde as versões de entrada, a Toro conta com DRL. Na opção Endurance, os faróis são halógenosLucas Cardoso

Por Lucas Cardoso
Rio - As versões de entrada dos carros nacionais estão cada vez mais raras e sua concepção: serem só o básico. Um exemplo disso, a Fiat Toro mais "barata" equipada com o novo motor 1.3 turbo da marca, que praticamente despede o cansado e 'gastão' 1.8 Etorq — o motor ainda é oferecido em uma versão —, a Endurance chega às concessionárias da marca por salgados R$ 119.590. Um valor alto em relação às linhas anteriores, quando a opção de entrada era oferecida por R$ 98.990, mas dentro do esperado para um modelo longe da popular expressão "pé de boi".
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Conhecemos a versão Endurance N270, sigla que faz referência ao torque do motor em newton-metro, durante uma semana. E, de cara, chama atenção a quantidade de equipamentos e tecnologias presentes. O modelo tem painel 100% digital de 7 polegadas, central multimídia com espelhamento sem fio, seis airbags, monitor de pressão dos pneus e piloto automático. Itens incomuns num modelo de entrada.
No primeiro encontro com a picape, chama atenção as mudanças visuais feitas na dianteira da picape. São novos o para-choque, os faróis, a grade frontal (que agora traz a marca da Fiat no seu interior) e o capô. As mudanças deram um tom ainda mais moderno e parrudo para a picape. Diria que nem sempre mexer em time que está ganhando ajuda, mas no caso da Fiat, funcionou bem demais.
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Deixando o visual de lado, partimos para dentro da picape. Bancos de tecido com ajustes manuais, painéis de porta também em tecido e volante com botões para ajuste do multimídia. Sento ao volante e já me deparo com o belo painel de instrumentos de 7', que em nada lembra o funcional, mas pequeno, cluster das versões básicas anteriores. O sistema tem uma tela com boa resolução e grafismos agradáveis, embora a nitidez tenha deixado um pouco a desejar.
Divulgação
Painel digital faz parte de todas as versões da picape - Divulgação
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Corro o olhar e vejo a central multimídia com tela de mesmo tamanho, 7', que evoluiu bem desde a primeira geração do Unconnect. O sistema agora permite o espelhamento sem fio, algo que não pude experimentar de cara por incompatibilidade do meu celular "velho de guerra" com a função. No meu caso, a saída foi usar o cabo. O software da central é fluido, sem nenhum episódio de travamento na avaliação. A qualidade da imagem é boa e a interação por voz descomplicada.
Ainda antes de ligar o carro, é perceptível outro avanço da nova linha 2022: porta-objetos que cabem objetos. Parece besteira, mas na linha anterior era difícil conseguir encontrar um lugar para deixar celular, carteira e até um copo. Agora, entre a central e os comandos do ar-condicionado, que, aliás, ficaram bem bonitos, com acabamento mais premium, há um espaço com tamanho ideal para o celular.
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Chave no contato e vamos ao que interessa, que é o desempenho do motor 1.3 GSE turbo N270. Antes mesmo de acelerar, chama atenção o silêncio do motor. O quatro cilindros, com bloco de alumínio e sistema eletro-hidráulico MultiAir capaz de gerar até 185 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, entregues logo a 1.500 rpm, roda suave. E assim permanece. Salvo as situações em que o pé pesa mais.
A força chega conforme a demanda do motorista. Algo que não acontece na versão 1.8, que além de ser morosa no quesito agilidade, também deixava, e muito, a desejar na parte do consumo. Nessa versão com o motor turbo, é justamente o contrário: o desempenho nas situações do dia a dia, como saídas, ultrapassagens e retomadas é bom e a aptidão por combustível é baixa. Durante os mais de 300 km que rodamos com a picape, foram 11 km/l em percurso misto, sendo a maior parte dele com ar-condicionado ligado e dentro da cidade.
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O resultado é uma junção do motor mais tecnológico e moderno ao confiável câmbio automático de seis marchas com conversor de torque. Não percebemos nenhuma troca de marchas sendo feita fora de hora pelo sistema.
Ficou melhor

Sem mudanças em relação ao usado nas linhas anteriores, o conjunto de suspensão da Toro segue fazendo um ótimo trabalho. O sistema é suave no rodar e, mesmo em trechos esburacados, não transmite desconforto para quem vai na cabine. O silêncio também chama atenção.
Para um carro com dimensões e peso da Toro, a direção elétrica leve até causa uma certa estranheza na hora de manobrar. A picape é tão fácil de guiar em baixa velocidade que não seria impossível (embora seja desaconselhável) estacionar usando apenas um dedo ao volante.

Por falar em estacionar, o modelo de 4,94 m de comprimento vem equipado apenas com sensores traseiros. Pelo preço da versão "pé de boi", faria sentido a picape também ter uma câmera, como está presente em outras versões. Embora quase passem por aros de liga leve, as rodas de aço com calotas 16' da versão também destoam um pouco do restante do conjunto. Aqui também caberia uma opção mais compatível com o preço.
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Apesar das ausências, não dá para reclamar da lista de itens da picape. A versão Endurance, de entrada para a motorização turbo flex, conta com seis airbags (frontais, laterais e de cortina), piloto automático, com limitador de velocidade, volante multifuncional com ajustes de profundidade e altura, alerta de frenagem de emergência, TC-Locker — item que também está presente na irmã menor Strada —, que funciona como um controle de tração avançado para situações de off-road leve e sensor de pressão dos pneus.
Além, é claro, dos já citados painel 100% digital de 7' e a central multimídia com espelhamento wireless também de 7'.
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A lista de equipamento recheada e o desempenho melhorado em relação às linhas anteriores colocam a Toro Endurance N270 na lista das versões mais interessantes da picape. Pesa a seu favor também a mudança de patamar quando o assunto é consumo de combustível. Só é uma pena a versão ter um preço tão salgado. Fazer o que, né? Esse é o preço da tecnologia.