Reunião discutiu novos encaminhamentos para tentar acelerar a retomada das operações comerciais Foto Firjan/Divulgação
Retomada de voos comerciais na linha Campos-Rio volta a gerar discussão
Cancelamento aconteceu em 2025 e Aeroporto Bartolomeu Lisandro virou alvo de mobilização empresarial em encontro na Firjan
A suspensão dos voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro, em Campos dos Goytacazes (RJ), já dura um ano e sete meses. Considerado estratégico para a região, o atual cenário é apontado como um entrave à competitividade industrial, aos negócios, ao turismo e à integração logística local.
Diante do transtorno, o assunto voltou ao centro das discussões por iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), por meio da Representação Regional Norte Fluminense, nessa terça-feira (20), entre empresários, representantes do poder público e entidades ligadas à atividade econômica.
Além de integrantes do Conselho Empresarial da Firjan, o encontro contou com representantes do Porto do Açu, entidades representativas, Prefeitura de Campos e da Gerência de Estudos de Competitividade da federação. Também participou o superintendente de operações da Infra S/A, Samuel Tavares, concessionária responsável pela operação do aeroporto.
A pauta priorizou a infraestrutura regional e estabeleceu novos encaminhamentos para tentar acelerar a retomada das operações comerciais. De acordo com Tavares, a Infra mantém negociações com companhias aéreas para viabilizar o retorno dos voos a Campos, mas a retomada depende da demonstração de viabilidade econômica da operação.
Entre as empresas com as quais há tratativas estão Latam e Azul Linhas Aéreas - esta última operava no terminal até cancelar suas atividades comerciais alegando questões de custos e malha operacional. A avaliação da demanda e das condições necessárias para atrair uma operadora permanece como o ponto central para a solução do problema. A Firjan defende a atuação conjunta das instituições.
Levantamento prévio
Especialista em estudos de competitividade da entidade, Rafael Lanunci Poubel destaca que a federação está mobilizada para contribuir com a busca de alternativas, inclusive por meio da realização de estudos. Ele pontua que é fundamental entender o status dos estudos da Infra S/A e quais medidas ainda precisam ser adotadas para concentrar esforços e tornar mais efetiva a articulação entre os setores público e privado.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, concorda e ressalta que a interrupção dos voos afeta diferentes segmentos da economia campista e regional. Para Knust, a mobilização da Firjan representa um passo importante para reunir forças.
“Os voos anteriormente operados costumavam registrar ocupação elevada”, lembra, defendendo a busca por companhias aéreas interessadas em atender ao município. O secretário também assinalou os prejuízos à mobilidade dos passageiros, ao turismo e às atividades relacionadas ao Porto do Açu.
Novo desdobramento
Membro do Conselho Empresarial da Firjan e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Fábio Paes cobra urgência na elaboração de análises sobre a demanda regional. Ele demonstrou preocupação com o fato de a concessionária não ter um estudo de viabilidade pronto, mesmo após um ano e sete meses sem voos comerciais.
Como encaminhamento prático, ficou definida a manutenção de um Grupo de Trabalho coordenado pela Firjan Norte Fluminense. A pauta terá um novo desdobramento em novembro, em data a ser marcada. Na oportunidade, a Infra S/A deverá apresentar dados concretos sobre a demanda anterior de passageiros, a capacidade operacional do aeroporto e as ações já realizadas.
Enquanto as instituições buscam definir formas objetivas de contribuir com as negociações, o Aeroporto Bartolomeu Lisandro permanece sem voos comerciais regulares, e a região corre contra o tempo para recuperar um serviço considerado estratégico para os negócios e a competitividade do Norte Fluminense.

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