Cláudio Cordeiro deixa o comando do Jornalismo do SBT Rio em meio a uma saída cercada de versões, bastidores e perguntas ainda sem resposta Reprodução Instagram

O SBT explicou a saída de Cláudio Cordeiro da direção de Jornalismo no Rio com uma palavra que serve para quase tudo: ‘reestruturação’. Só há um problema: o cargo não acabou. Yasmin Pamplona, chefe de Redação, assumiu interinamente e a emissora procura outro diretor no mercado. Se a cadeira continua lá, a justificativa não conta toda a história.
Escolha pessoal de Leandro Cipoloni, diretor nacional de Jornalismo do SBT e seu antigo colega na CNN Brasil, Cláudio chegou em maio de 2025 para comandar a maior mudança no jornalismo carioca da emissora em 12 anos e ficou cerca de 14 meses no posto.
Nesse período, demitiu Clóvis Monteiro e a editora Melissa Santos, encerrou o ‘Tá na Hora Rio’ e recuperou o ‘SBT Rio 2ª Edição’, com Lívia Mendonça. Também participou da renovação de Isabele Benito até 2027, levou Sidney Rezende para a análise política e reforçou o ‘SBT Sports Rio’ com Caio Caesar, conhecido entre os vascaínos nas redes sociais.
Os números públicos, sozinhos, não desenham uma saída por mau desempenho. Em julho de 2025, o recém-relançado ‘SBT Rio 2ª Edição’ marcou 2,8 pontos e elevou em 40% a audiência recebida do programa anterior. Um ano depois, embalado pela Copa do Mundo, chegou a 3,4 pontos e foi o produto local mais assistido do canal naquele dia. ‘SBT Rio’ e ‘SBT Sports Rio’ seguem entre as maiores audiências da emissora no estado. Pode haver cobrança interna, claro, mas fracasso público os números não mostram.
O bastidor mais quente veio do Canal D, de O DIA: Cláudio teria deixado o SBT no fim de agosto já acertado com outra emissora e com as portas abertas na antiga casa. A Folha também informou que houve acordo entre as partes, enquanto a nota oficial adotou tom cordial. A versão combina muito mais com uma proposta externa do que com uma demissão.
Uma pista leva à Jovem Pan. Em julho, o canal procurava um novo diretor de Jornalismo e teria sondado profissionais do SBT e da Record. Cordeiro tem o perfil: hard news, gestão de televisão, CNN no currículo e experiência em operação regional. O calendário também encaixa, mas, por enquanto, é apenas hipótese de mercado. Nem ele nem a Jovem Pan anunciaram qualquer acerto.
Também chama atenção a previsão de que o SBT escolha um substituto já na próxima semana. Diretor de Jornalismo não se encontra em 48 horas, ainda mais durante campanha eleitoral. Se o nome aparecer tão rápido, é razoável imaginar que uma lista já existia. Yasmin, que segurou o departamento entre a saída de Diego Sangermano e a chegada de Cordeiro, volta a comandar a transição, mas a busca externa mostra que sua efetivação não é, neste momento, o plano anunciado.
Até a cronologia saiu torta. Algumas publicações disseram que o acordo ocorreu na ‘quarta-feira, dia 31’. Só que 31 de agosto caiu numa segunda-feira. A quarta-feira foi 2 de setembro, justamente a data da nota oficial. A leitura mais provável é que Cláudio tenha saído no fim do mês e o anúncio vindo dois dias depois.
Hoje, a ordem das hipóteses é simples: proposta externa e saída negociada; reorganização usada para acomodar a troca; e, por último, pressão por resultados. Não há sinal consistente de conflito editorial ou problema disciplinar.
A ‘reestruturação’ pode até funcionar no comunicado. Fora dele, a cadeira continua lá, o substituto já está sendo caçado e Cordeiro teria saído com outro endereço no bolso. Se isso é reestruturação, trocaram o diretor e deixaram a explicação na ilha de edição.