
Para tornar as coisas ainda mais constrangedoras, o próprio governo de Bolsonaro, através do Ministério da Família e Direitos Humanos, emitiu, dias atrás, por determinação da Justiça, atestado de óbito em que constata que o Fernando Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, morreu em 1974, provavelmente de causas não naturais, "no contexto de perseguição sistemática e generalizada" aos opositores do "regime ditatorial". O corpo, como se sabe, nunca foi encontrado.
Dentre as numerosas declarações beligerantes de Bolsonaro, nenhuma recebeu críticas de espectro ideológico tão amplo. Os autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff voltaram a se unir para reprovar a atitude do presidente. "É caso de interdição", comentou o jurista Miguel Reale Jr. (Veja aqui essa e outras reações) “Pelo futuro do País, o presidente precisa deixar o passado no passado”, disse a deputada estadual paulista Janaína Paschoal (PSL). Houve também condenação por parte do governador de São Paulo, João Doria, e vários outros políticos. Entre os aliados, somente o líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo, fez coro ao presidente.
Em Brasília, a avaliação é de que os dois únicos personagens capazes de fazer Bolsonaro ponderar quanto a ações e declarações mais radicais já foram embora do governo: os ministros Santos Cruz e Gustavo Bebianno. Dos que ficaram e estão mais próximos, o general Augusto Heleno abandonou a fase "paz e amor" e também tem feito pronunciamentos bombásticos. Já o general Villas Boas fica limitado pelas condições de seu delicado estado de saúde. Pelo visto, a ideia da cúpula militar, de deixar de lado as desavenças ideológicas para privilegiar a agenda econômica, continuará sendo um objetivo difícil de ser alcançado.