PSL X Witzel: um jogo em que os dois perdem

Confronto entre pesselistas e o governador fluminense deve complicar encaminhamento de assuntos do Rio no Congresso

Por Chico Alves

Governador do Rio, Wilson Witzel
Governador do Rio, Wilson Witzel -

Não é fácil definir como será daqui para a frente o relacionamento da bancada federal do PSL com o governo de Wilson Witzel. O desconforto de integrantes do partido do presidente da República com as declarações do governador do Rio sobre sua provável candidatura à presidência e com as críticas a algumas ações do governo Bolsonaro tornou-se público há algumas semanas. Também o senador Flávio Bolsonaro manifestou sua insatisfação. Mas, no fim das contas, os representantes pesselistas estão divididos quanto a um possível rompimento.

O deputado federal Luiz Lima é um dos mais convictos da necessidade de que o partido precisa manter distância da gestão Witzel. "O coração do PSL está em Brasília. Quando o governador do estado critica o presidente, que é filiado, ele criticou o coração da legenda", justificou Lima à coluna. "Politicamente é preciso ter gratidão, principalmente com os seus aliados".

Já o deputado Daniel Silveira acha que não deve haver rompimento. "Eu não rompi com Witzel, continuo apoiando o governo dele", diz. "Acho isso tudo uma bobeira. O governador somente declarou que apesar de ter vínculo com Jair Bolsonaro também teve seus méritos para ganhar a eleição. Claro que o nome de Bolsonaro ajudou muito, mas realmente cada um teve seu trabalho. Foi uma transferência de votos bilateral".

O governador não se pronuncia sobre o possível rompimento com o PSL e não emite sinais de que esteja preocupado com isso, mesmo que o Rio esteja perto do momento da renegociação do acordo de recuperação fiscal. A manutenção dessa ajuda é fundamental para o funcionamento do estado e a questão passa por votação na Câmara. Apesar disso, Witzel repete sempre que pode que realmente pretende ser candidato a presidente e refuta os comentários que creditam sua eleição unicamente à influência de Jair Bolsonaro.

Beneficia-se da indecisão dos pesselistas. Há aqueles como o deputado Carlos Jordy, vice-líder do governo no Congresso, que acham que não é mais possível a legenda estar associada ao governo do estado. "Witzel antes demonstrava gratidão ao Flávio e ao Jair, pois sabia que foi eleito por colar a imagem nos dois. Mas parece que alguém fez a cabeça dele e passou a demonstrar soberba, afirmando que foi eleito por conta própria e não por causa dos Bolsonaros", justifica Jordy. " Agora não há mais como caminhar com ele." Outros do partido, porém, vão manter a ligação com o governador, como é o caso do próprio suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, Leonardo Rodrigues, que anunciou que não deixará a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia.

É uma espécie de disputa em que os dois saem perdendo: o estado vê reduzido o apoio no Congresso, e o partido, criado há tão pouco tempo, mostra-se dividido menos de um ano depois de uma significativa vitória nas urnas.

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