Lindbergh aposta em crescimento de Haddad para ultrapassar Cesar Maia e Flávio Bolsonaro

Em entrevista ao Informe, senador petista também defendeu união entre Ciro Gomes (PDT) e PT "imediatamente após o fim do primeiro turno"

Por PAULO CAPPELLI

Lindbergh fala sobre estratégia de manter Lula candidato até o último minuto mesmo com o PT sabendo que o ex-presidente não poderia concorrer: 'Evitou que o Haddad ficasse levando pancada'
Lindbergh fala sobre estratégia de manter Lula candidato até o último minuto mesmo com o PT sabendo que o ex-presidente não poderia concorrer: 'Evitou que o Haddad ficasse levando pancada' -

A Coluna entrevista hoje o senador Lindbergh Farias, do PT, candidato à reeleição. O petista acredita que o crescimento de Fernando Haddad, indicado por Lula para disputar a Presidência, vai beneficiá-lo nesta reta final: "Era a força que eu precisava para ganhar a eleição", diz Lindbergh, atrás de Cesar Maia (DEM) e Flávio Bolsonaro (PSL) nas pesquisas.

O DIA: Contrariando previsões, a estratégia de segurar a candidatura de Fernando Haddad (PT) até o último minuto está se mostrando eficaz...

Lindbergh Farias: O Haddad já vai direto ao segundo turno. Se ele tivesse se colocado lá atrás, ia sofrer uma pancadaria e a transferência de votos não seria dessa forma. Acho que o Haddad é uma figura que, ganhando a eleição, pode pacificar o país. Ninguém aguenta mais tanta briga política.

Haddad adota um discurso mais conciliador, mas o fato de ser do PT, que tem rejeição de boa parcela da sociedade, não atrapalha essa tentativa de pacificação?

Tem uma parcela das elites brasileiras e da extrema-direita que vai tentar continuar com o discurso do golpe. A gente tem que se preocupar em evitar que esse discurso da desestabilização continue. Mas tem também uma parcela grande da população que está cansada. O maior erro desse processo todo foi ter o impeachment.

Como vê esse Fla x Flu que se tornou a disputa entre Bolsonaro e PT?

O culpado disso é o PSDB, a Rede Globo, esse pessoal que apostou no não reconhecimento do resultado das urnas em 2014. A Dilma não conseguiu governar. Antes mesmo de a Dilma assumir, o PSDB já pediu recontagem de votos. Tem discurso meu no Senado dizendo na cara do Aécio: "Vocês estão sendo responsáveis pelo crescimento do fascismo no país. Estão indo para passeatas pedir a saída da Dilma junto com quem defende a intervenção militar. Vocês vão ser engolidos pelo fascismo e pela extrema-direta." Cara, parece profecia. Mas aí o PT consegue se reorganizar e pode vencer a quinta eleição consecutiva, o que todo mundo achava impossível. O Haddad é o único que tem propostas fora desse viés de austeridade. Aliás, o Ciro (PDT) também. Eles têm que estar juntos imediatamente após o fim do primeiro turno.

O crescimento de Haddad influencia a sua candidatura ao Senado nesta reta final? O senhor está atrás de Cesar Maia (DEM) e de Flávio Bolsonaro (PSL) nas pesquisas.

Era a força que eu precisava para ganhar a eleição. As pessoas vão perceber: se o Haddad for presidente, é melhor para o Rio ter um senador como Lindbergh do que ter dois senadores de oposição, que vão estar lá só atrapalhando o governo do Haddad. Ninguém tem a ilusão de que Cesar Maia ou Flávio iriam ajudar. É melhor ter um senador que lute para trazer obras e empregos na construção civil.

Serão dois os eleitos para o Senado. Como seria para o senhor, petista, sentar todo dia no Congresso ao lado de um Bolsonaro? (Os assentos por estado são juntos).

Putz... seria bem difícil!

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Lindbergh fala sobre estratégia do PT de manter Lula como candidato até o último minuto mesmo sabendo que o ex-presidente não poderia concorrer: "Evitou que o Haddad ficasse tomando pancada" Alexandre Brum/ Agência O Dia
Lindbergh fala sobre estratégia de manter Lula candidato até o último minuto mesmo com o PT sabendo que o ex-presidente não poderia concorrer: 'Evitou que o Haddad ficasse levando pancada' Alexandre Brum/ Agência O Dia

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