A luta diária da microcefalia

Pollyana conta as dificuldades e rotina dos cuidados com o filho de 4 anos. Ele tem microcefalia decorrente do vírus da Zika, e a família acompanha o tratamento

Por O Dia

21 01 2020 - SAUDE - A equipe de jornalismo do jornal O Dia foi em Marica visitar o Luiz Philipe, que nasceu com microcefalia. Sua mae, Pollyana Rabello teve uma virose parecida com zika no oitavo mes de gestacao. Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O Dia
21 01 2020 - SAUDE - A equipe de jornalismo do jornal O Dia foi em Marica visitar o Luiz Philipe, que nasceu com microcefalia. Sua mae, Pollyana Rabello teve uma virose parecida com zika no oitavo mes de gestacao. Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O Dia -

'Depois que o Luiz nasceu, aprendemos o que é o amor de verdade", afirmou Pollyana Oliveira, mãe de Luiz Phillipe Cardoso, de 4 anos, que nasceu com microcefalia decorrente do vírus da Zika. Ela contraiu a doença no final de 2015, durante o surto do vírus no Brasil. Na época, Pollyana estava quase no nono mês de gravidez, ansiosa para receber Luiz em seus braços, mas não imaginava que ele seria afetado pelo vírus. 

Desde o nascimento, Luiz luta para sobreviver: ele temk 90% do cérebro comprometido. Pollyana investiu no acompanhamento multidisciplinar desde o berço. Agora, quatro anos depois, Luiz segue com tratamento terapêutico e médico, e a mãe acompanha cada passo com um olhar atento. 

"O Luiz é acompanhado por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, neurologista para epilepsia, ortopedista e pediatra. Todos os médicos dizem não tem como dar um diagnóstico porque depende do desenvolvimento do seu cérebro", contou a mãe. Pollyana afirma conseguir fazer todo o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Todos os dias, a mãe conta com a ajuda dos filhos Pedro Lucas, de 14 anos, e Yasmim, de 7, para ministrar os medicamentos para epilepsia e urina neurogênica. Mas também garantem a diversão do mais novo com atividades indicadas pela terapeuta e com as conhecidas brincadeiras de criança.

Agora, a família enfrenta mais uma dificuldade: conseguir uma cirurgia no Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia). A espera é grande, mas o sofrimento de Pollyana é maior. "Ele costuma ter deslocamento de quadril, desvio de coluna e tendões rígidos e, por isso, ele não consegue esticar seus músculos. Estamos aguardando na fila desde setembro, apesar de ser urgente", conta a mãe, esperançosa. 

Especialista alerta para danos e cuidados com o vírus

Entre 2015 e 2018, milhares de mulheres grávidas que foram contaminadas com o vírus da Zika sofreram ao descobrirem que seus filhos nasciam com má-formação no crânio, a microcefalia. O infectologista e pediatra Edimilson Migowski afirma que vai além de uma preocupação estética.

"A microcefalia decorrente do Zika afeta o desenvolvimento intelectual da criança, além de deglutição, respiração, problemas de visão e audição. Isso se dá porque ela evita o desenvolvimento das células do sistema nervoso central", explicou o especialista. Os danos são maiores quando a grávida contrai a doença no começo da gestação porque afeta mais o desenvolvimento do feto. 

Depois do nascimento, Migowski reforça o cuidado intensivo com o recém-nascido, optando por uma equipe multifacetada, dentre eles, nutricionista, psicólogo, neurologista, pediatra e musicoterapeuta. 

Nos cuidados com o Zika vírus, a prevenção ainda é a principal ação. A luta contra os focos do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença, é o primeiro passo, mas Migowski aponta que as grávidas ainda podem enriquecer a alimentação com vegetais e legumes variados para garantir diferentes princípios ativos dentro do organismo.

Pensão Especial do INSS

Desde o ano passado, crianças com microcefalia decorrente do Zika vírus conseguem Benefício de Prestação Continuada. A Medida Provisória aprovada em setembro de 2019 garante um salário mínimo mensal, vitalício e intransferível para crianças com microcefalia que nasceram entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2018. 

Para conseguir os benefícios, as famílias precisam levar ao INSS procuração ou termo de representação legal; documento de identificação com foto e CPF do procurador ou representante, se houver; Formulário Único de Alteração da Situação do Benefício, caso já receba um benefício e queira trocar; e documentos que comprovem a deficiência, como atestados médicos e exames.

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