Bota a camisinha, meu amor

Brincar é bom, mas com proteção, é melhor ainda

Por O Dia

Embarcar na folia durante cinco dias é a grande missão realizada por milhares de cariocas e turistas, seja nas ruas movimentadas por purpurina e marchinhas clássicas, seja na exuberante e exclusiva Sapucaí. Com a farra, o álcool e os charmosos brilhos do Carnaval, os foliões ficam embriagados pela liberdade que o feriado permite, mas esquecem de tomar cuidado com as Doenças Sexualmente Transmissíveis, os vilões invisíveis que também inventam de pular Carnaval.

O Ministério da Saúde identifica herpes genital, cancro mole, HPV, gonorreia e infecção por Clamídia Linfogranuloma venéreo (LGV), sífilis, tricomoníase e HIV como os tipos mais comuns. A contaminação por vias sexuais acontece durante todo o ano, e os números brasileiros são alarmantes. O cuidado especial no Carnaval se dá porque "a festa é um momento em que as pessoas bebem, se divertem, se liberam, e acabam tendo relação sexual sem prevenção", segundo o ginecologista Paulo Gallo. Quando o assunto é cuidado, a proteção recomendada é a tradicional camisinha, muitas vezes esquecida no calor do momento.

O urologista José Alexandre Araújo observa um aumento dessas doenças nos últimos dez anos devido a um fenômeno: as pessoas estão usando menos preservativos. "Depois da redução das taxas de morte por Aids por conta da distribuição dos coquetéis contra a doença, ninguém mais usa camisinha. As gerações entre 40 e 50 anos pegaram o 'boom' da Aids e usavam muita proteção, mas agora poucas pessoas usam camisinha. A Aids não está curada, e sim está cada vez mais resistente", explicou. No primeiro semestre de 2019, foram 1.552 casos de contaminação por HIV, o vírus da Aids, apenas no estado do Rio. 

A doença é temida por sua letalidade, mas não é a única que acomete os brasileiros durante a folia. A hepatite B, alerta Gallo, também é muito grave, mas a prevenção pode ser feita com a vacina pentavalente, disponível em três doses, aos 2, 4 e 6 meses. Já Araújo alerta para o vírus HPV, também tratável com vacinas para meninas entre 9 e 14 anos, e meninos, entre 11 e 14 anos, com duas doses com intervalo de seis meses. 

O tratamento e a vacinação contra todas as doenças sexualmente transmissíveis pode ser feito no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive a distribuição do coquetel utilizado no tratamento da Aids.

Sem mistério

Este ano, a prefeitura do Rio vai disponibilizar 3,5 milhões de preservativos femininos e masculinos, além de gel lubrificante. Mas, para o cuidado efetivo, a camisinha deve ser colocada corretamente. O urologista José Alexandre Araújo explica que o ideal é colocar apenas uma camisinha por vez, sempre com as mãos, e não utilizar nada além de gel lubrificante. Ele reforça, ainda, que as camisinhas distribuídas em postos de saúde são de boa qualidade.

 

Sífilis ressurge na surdina

Além da Aids, que continua assustando brasileiros, agora é preciso tomar cuidado com uma velha conhecida. Nos últimos anos, aumentaram muito os casos de sífilis no Brasil. Em 2018, a secretaria de estado de Saúde notificou 32.051 casos da doença e, no primeiro semestre de 2019, foram identificados 11.877 casos da doença. 

A sífilis tem um período de incubação que vai de duas semanas a dois meses. Depois, a lesão aparece espontaneamente, a chamada sífilis primária. Se não houver o tratamento com penicilina, pode haver reincidência.

Mas o real problema da sífilis está no caso de gestantes infectadas. Quando grávidas contraem a doença, podem passar para o feto, e quanto mais adiantada for a gravidez, maiores as chances de deixar sequelas no filho, a chamada sífilis congênita. Se atingir o bebê, as principais consequências são má formação do crânio, a microcefalia, e até alterações neurológicas.

Para o ginecologista Paulo Gallo, a preocupação com a Aids está deixando a sífilis 'descoberta'.

"As pessoas estão se preocupando muito com a Aids, mas esquecem da sífilis, que pode passar para o filho. Depois do quarto mês, os riscos são maiores, por isso é muito importante fazer os exames de pré-natal", explicou o médico. 

Durante o período de Carnaval, além de preservativos, a secretaria municipal de Saúde vai disponibilizar folhetos informativos para todo mundo se divertir sabendo as melhores formas de evitar os males e só ficar com o melhor da folia.

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