Marvvila
MarvvilaGuto Costa
Por Filipe Pavão*
Rio - Quantas mulheres você escuta no pagode atualmente? Poucas? Esse cenário está perto de mudar com novas vozes femininas que se destacam no gênero. Dentre elas, está a carioca Marvvila, de 21 anos, "uma menina sonhadora, que ama o que faz e que está com muita garra para quebrar barreiras” como a própria se define. Ela já coleciona parceria de sucesso com Ludmilla e milhões de reproduções nas plataformas digitais. Seu novo single, “A Cada Beijo”, já é um sucesso nas rádios.
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“A gente está quebrando barreiras todos os dias e a gente faz porque ama. Recebo mensagens de meninas que tem o sonho de cantar pagode, mas não tem referência. Hoje, elas me falam: ‘Muito legal o que você está fazendo’. Acabo virando referência. Assim como o sertanejo já foi dominado por homens e havia essa barreira, no pagode, ainda tem e eu vim para quebrar”, afirma Marvvila, que destaca a força do “feminejo” e mulheres como Marília Mendonça, com quem sonha em colaborar.
De família evangélica, ela cresceu na Igreja e teve contato com o pagode na escola, onde cantava com amigos, sem saber que, em 2021, seria um dos promissores nomes do gênero. Mas a sua primeira aparição nacional aconteceu alguns anos antes, em 2017. “No ‘The Voice Brasil’, eu me encontrei. Até então, eu cantava na Igreja e em festas, mas ainda não era meu trabalho, era apenas a menina que gostava de cantar”, diz.
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“A Cada Beijo”
Seu mais recente trabalho, a faixa “A Cada Beijo”, já conquistou o espaço nas rádios do gênero. Para Marvvila, o sucesso se deve por ser uma música bem romântica, que fala sobre uma pessoa que percebe estar apaixonada por alguém especial.
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“Ela começa a ver que está olhando diferente para a pessoa e já está tarde para mudar isso porque está apaixonada. As pessoas vão gostar da música porque se a pessoa não passou, ela está passando por isso... Todo mundo se identifica”, diz Marvvila, que já vivenciou algo semelhante ao se apaixonar pelo seu “boy magia” e namorado, Cristiano.
Ela ainda revela que o atual single é uma grande realização pessoal. “A gente teve muito carinho para gravar o áudio e o clipe. Sempre quis fazer uma pegada mais audiovisual. No vídeo, tem a banda tocando, os backing vocals... Está mostrando muita verdade”, conta.
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Parceria com Ludmilla
Marvvila conta que a aproximação com Ludmilla aconteceu pela internet quando Lud respondeu um vídeo seu no Instagram com um elogio. Em seguida, ainda lhe convidou para resenhas, churrascos e participar de um EP, o qual marcou a estreia de Marvvila no gênero, em 2020.
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“Eu já seguia a Ludmilla como fã, até que ela respondeu um storie meu com um 'canta muito'. Eu fiquei louca na hora. Com o tempo, ela falou: ‘eu quero te colocar no meu EP de pagode e quero que você seja a única participação dele’. Isso não passava pela minha cabeça, era um sonho muito distante”, revela.
Ela ainda destaca a importância do projeto “Numanice” para dar visibilidade feminina no gênero. “O que a Lud fez de gravar um EP de pagode, já tendo um nome consolidado, deu muita força para outras mulheres e abriu portas. Apesar de a gente já ter muita referência de mulher no samba como Alcione, de quem sou fã, na atual geração do pagode, é muito difícil”, ressalta.
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Voz singular
Ao aparecer no “The Voice Brasil” com 17 anos, ela chamou a atenção do público pelo vozeirão grave. Apesar de ser uma característica marcante, ela conta que nem sempre se orgulhou disso porque ouvia piadas e comentários machistas e maldosos.
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“Há um tempo, eu me abalava com críticas destrutivas e pensava que não gostava da minha voz. Mas depois eu me dei conta de que muitas pessoas gostam e é um dom que Deus me deu. É o meu diferencial”, conta Marvvila, que ouve comparações com grandes nomes da MPB como Ana Carolina e Alcione: “As pessoas comparam e eu fico muito feliz. Podem continuar”.
Dona de si, a cantora revela que já tem mais músicas gravadas e não esconde o desejo de encontrar o público para cantar suas músicas ao vivo. ”Que a vacina chegue logo porque quero fazer meus shows, ver as pessoas na rua recebendo a minha música. Sinto falta disso. Esse é meu grande sonho” revela Marvvila.
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* Estagiário sob supervisão de Tábata Uchoa