Lázaro Ramos dirigiu o filme ’Medida Provisória’Divulgação

Rio - “Medida Provisória”, primeiro longa de ficção dirigido por Lázaro Ramos, será exibido pela primeira vez no Brasil dentro da programação do Festival do Rio, no próximo dia 15 de dezembro. Exibição acontece mais de dois anos após ter sua filmagem concluída devido a entraves burocráticos da Agência Nacional do Cinema (Ancine), segundo nota da assessoria de comunicação do longo. Neste período, o filme passou por dezenas de festivais internacionais acumulando críticas positivas e inúmeros prêmios.
Filme, que tem temática antirracista, é baseado na obra teatral "Namíbia, não!", de Aldri Anunciação, narra movimento para a reparação histórica em relação à população negra escravizada no passado e traz Alfred Enoch, Taís Araujo e Seu Jorge nos papeis principais. O longa já foi criticado por representantes do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) como o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, que chamou a história de "lacração vitimista".
Em comunicado, a assessoria informou que "apesar dos inúmeros recursos submetidos por suas produtoras e coprodutoras à Ancine para que ele seja liberado em circuito comercial. Explicamos ainda que questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020 – um ano antes de sua previsão inicial de estreia, que seria realizada no último mês de novembro".
Ainda segundo a assessoria, a equipe do longa trocou dezenas de e-mails, realizou consultas processuais e enviou uma carta com questionamento formal à Ancine, no dia 21 de outubro de 2021, mas não houve manifestação por partes dos setores cabíveis, apenas reposta de recebimento da comunicação. Por isso, o longa ainda não possui precisão para data de lançamento nos cinemas brasileiros.
"A equipe de 'Medida Provisória' segue confiante na Ancine e espera poder anunciar, em breve, uma data de lançamento para que todos os brasileiros possam conhecer o longa que tem em seu elenco nomes como Seu Jorge, Taís Araujo, Alfred Enoch, Adriana Esteves, Renata Sorrah, Mariana Xavier e Emicida, além das centenas de profissionais que trabalharam nos bastidores sempre acreditando no cinema nacional", finaliza o comunicado assinado pela Trigo Agência de Ideias, responsável pela assessoria de “Medida Provisória”.
"Marighella"
Não é a primeira vez que a Ancine, sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro, é acusada de promover uma "censura velada" a um filme com temática social. "Marighella", dirigido por Wagner Moura, também teve consideráveis atrasos nos trâmites burocráticos, chegando às telonas apenas em novembro do ano passado, após meses da solicitação de exibição comercial.
Em entrevista exclusiva ao DIA, Wagner Moura comemorou o lançamento do filme, mesmo que tardio. “É duro você não ver o seu filme estrear como qualquer outro. Mas eu fiquei emocionado e impressionado como os movimentos sociais abraçaram o filme, como o filme virou uma coisa importante. Era gente que via o filme não como uma simples representação da resistência contra a ditadura militar, mas eles se viam. Gente que está resistindo agora, indígenas, quilombolas, MTST, Coalizão Negra Por Direitos. Eu senti muito amor nesse momento. Até porque essa espera não é só minha. Quando você censura uma obra, você não está censurando somente o artista, você censura as pessoas de assistir aquilo”, declarou ele.