Peça 'Textos Cruéis Demais' está em cartaz no Rio com história de amor modernaDivulgação
Best-seller ‘Textos cruéis demais’ inspira peça em cartaz no Rio: ‘Nada melhor do que falar de amor’
Com mais de 500 mil exemplares vendidos, livro de Igor Pires ganha adaptação para o teatro com história de desilusão amorosa
Rio - O autor Igor Pires é sincero ao confessar que não imaginava o sucesso que faria quando lançou o livro de poemas “Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente”, em novembro de 2017. Cinco anos depois e com mais de 500 mil exemplares vendidos, a obra saiu do papel direto para os palcos com uma adaptação idealizada por Carlos Jardim, que assina o roteiro e direção de “Textos cruéis demais – Quando o amor te vira pelo avesso”. A peça estreou no último dia 13, no Teatro Ipanema, na Zona Sul do Rio, e fica em cartaz até 26 de fevereiro, retratando uma história de paixão e desilusão amorosa nos tempos modernos.
O espetáculo tem como ponto de partida o sofrimento de Pedro, interpretado por Edmundo Vitor, após o fim do namoro com Fábio (Felipe Barreto). Ao longo da trama, o público acompanha de perto enquanto o rapaz faz uma viagem no tempo por diversos momentos que viveu ao lado do ex-namorado, compartilhando suas dores e reflexões com a plateia. Os versos da trama original surgem como diálogos que conduzem os espectadores pelas memórias de um romance arrebatador.
Igor, que atualmente divulga o quinto livro da série, avalia a trajetória que percorreu com sua história até chegar no teatro. “Quando escrevi eu não imaginava que faria sucesso ou que ganharia adaptação. Eu vim de uma família muito humilde da periferia de Guarulhos (em São Paulo) e acho que nunca nos foi permitido sonhar tão alto, tão grande. Então tudo o que está acontecendo parte de um lugar inimaginável e por isso muito celebrado e comemorado”, declara o escritor, que ganhou ainda mais destaque com suas obras durante a pandemia da covid-19.
“Nunca me vi no lugar que estou hoje. Passa um filme: desde que entrei na faculdade, penso nas escolas públicas que frequentei, nos professores que foram meus mestres. Na formação toda que eu tive. Eu penso muito nos autores gays que eu li na minha adolescência. E em como eu queria muito ter uma referência e como eu posso dizer hoje que sou referência para algumas pessoas. Isso me enche de alegria”, completa Pires.
E foi o diretor Carlos Jardim quem teve a ideia de transformar os poemas de Igor em uma narrativa teatral, depois de ter visto uma reportagem sobre a série, abreviada como “TCD”. “Quando li o impactante livro do Igor Pires imediatamente percebi que seria uma história de amor - e desamor - perfeita pra levar para os palcos. São sentimentos que todos nós já vivemos, a identificação é instantânea. E nada melhor pra este momento do que falar de amor, não é?”, comenta o diretor, que também esteve por trás do filme “Maria – Ninguém sabe quem sou eu”, sobre a cantora Maria Bethânia, lançado em setembro do ano passado.
Com o olhar de Jardim, a peça traz uma nova perspectiva para os fãs da série de livros, incluindo a novidade do ex-namorado como uma figura presente na trama. Além disso, o roteirista ainda destaca as canções embalam o espetáculo na voz do protagonista. “Fui fazendo as letras enquanto escrevia o texto da peça, ou seja, cada música serve pra continuar a narrativa dos personagens. Igor assina duas letras comigo. E a Liliane Secco, uma craque, fez melodias lindas, que ajudam a dar um ritmo incrível à história. Não é um espetáculo musical, é uma peça com música. E o texto das músicas é uma extensão das falas dos personagens”, explica.
O ator Edmundo Vitor entende a responsabilidade de estar no papel principal e celebra o momento em que a história ganha uma nova versão, mantendo aspectos importantes como a diversidade. “Falar de amor sempre é relevante. Acredito que a maneira como a história é apresentada acaba trazendo reflexões sobre essa relação de se doar para o sentimento sem ter garantia nenhuma do que será recebido em troca. Além dos fatores raciais, e das ligações afetivas que estão somadas nessa construção do trabalho, acho que a sinceridade do texto é um fator chave pra desenrolar as identificações em quem assiste a história e se enxerga ali vivendo esses dilemas também”, aponta o artista.
“Espero que as pessoas se sintam abraçadas e com o coração aberto pra viver o amor. Nem sempre o final de uma história de amor é feliz, mas a gente sempre aprende, amadurece, se transforma. É durante a vivência e a caminhada que as memórias são construídas, por isso mesmo que o final seja turbulento, é importante entender que o tempo passa, a dor cicatriza, e um novo amor sempre pode bater à porta trazendo novas sensações e descobertas”, acrescenta Vitor sobre a reflexão que “Textos Cruéis Demais” deixa para os espectadores.
E o autor da obra original ainda complementa com o caráter político da história, por mostrar um romance homoafetivo em um período em que o conservadorismo ganha força no Brasil e no mundo. “Falar de histórias de amor entre dois homens, sendo um homem preto, é crucial, não apenas para a sociedade entender alguns personagens dessa sociedade. Quando você humaniza os personagens você fornece capacidade para que as pessoas se emocionem e se sintam representadas. Eu sinto que esse espetáculo vai falar com muita gente que já passou por alguma desilusão amorosa. É uma experiência humana universal. Histórias como essas precisam sempre ser contadas”, finaliza Igor Pires.
SERVIÇO - 'Textos Cruéis Demais – Quando o amor te vira pelo avesso' no Teatro Ipanema
Em cartaz até 26 de fevereiro. Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 19h.
Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 - Ipanema.
Ingressos a partir de R$ 40 (meia-entrada), disponíveis no site Sympla.
Classificação: 16 anos.











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