Rio - As notas tristes do Carnaval deste não se restringiram aos acidentes com os carros alegóricos de Tuiuti e Unidos da Tijuca na Sapucaí. Fora do Sambódromo, um dos blocos mais tradicionais do país, o Bafo da Onça, deixou de desfilar no Centro do Rio após 60 anos. Uma ausência sentida pelos foliões que foram à Avenida Chile, novo palco dos blocos de embalo e enredo da cidade.
Fundado em dezembro de 1956 pelo folião Tião Carpinteiro, que durante o Carnaval desfilava numa espécie de bloco do "Eu Sozinho" fantasiado de onça-pintada, o bloco que levava milhares de pessoas às ruas hoje resiste graças à insistência de Serginho Maria, filho de Tião Carpinteiro, que toca o Bafo da Onça junto ao fiel escudeiro Roberto Capilé e outros poucos abnegados.
"A situação está difícil. Tivemos problemas com documentação junto à prefeitura e ficamos sem dinheiro, sem patrocínio. Tudo ficou regularizado na quinta-feira antes do Carnaval. A gente não tinha mais tempo de montar o Carnaval", lamentou Serginho Maria.
Estudioso do Carnaval carioca, o historiador Luiz Antônio Simas é um apaixonado pelo Bafo da Onça, ao lado do Império Serrano e de Emilinha Borba. O bloco, segundo ele, é responsável direto pelo seu amor pelo Rio de Janeiro. E brinca, lembrando que o nome da agremiação se deu graças ao mau hálito de Seu Tião, o primeiro a se fantasiar de onça nas ruas do Catumbi.
"Uma das grandes atrações do Carnaval era o encontro entre os foliões do Bafo e do Cacique de Ramos. O pau quebrava de forma inapelável; onças e índios se atracavam nas ruas do Centro e o furdunço não tinha hora pra terminar. Mas todos faziam as pazes enchendo a moringa com a água que o passarinho não bebe", conta.
Herdeiro de Tião Carpinteiro, Serginho diz que o Bafo está aberto para quem quiser ajudar a colocar o bloco na rua em 2018.
"Toda ajuda é bem-vinda. O custo de colocar o Bafo na rua é de pelo menos 20 mil reais. A prefeitura, espero, deve entrar com cerca de 15 mil. O restante a gente precisa arranjar com amigos e patrocinadores", diz Serginho.