Rio – A menos de 20 dias para o início do Carnaval 2026, a Liga RJ, responsável pelos desfiles das escolas de samba da Série Ouro, enviou denúncias contra a Liesa, que cuida da festa no Grupo Especial, à Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). As queixas se referem à gestão da Marquês de Sapucaí, palco da “maior festa popular do planeta”.
Dentre as reclamações, estão venda casada de camarotes; restrição de acesso de dirigentes e sambista ao Sambódromo, em detrimento de pessoas sem vínculo institucional; falta de repasses oriundos da comercialização de camarotes e espaços publicitários durante os desfiles da Série Ouro; e exclusividade comercial para a venda de uma única marca de cerveja durante os dias de evento.
O deputado Dionísio Lins (PP), vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, anunciou que enviará um ofício à Liesa e à Riotur, a empresa de turismo da Prefeitura do Rio, a fim de pedir explicações sobre tais denúncias.
“As escolas da Série Ouro não querem nenhum tipo de conforto, mas uma posição firme e imparcial por parte da Riotur, e é isso que estamos cobrando”, reforçou. O parlamentar ainda afirmou que não descarta ingressar com uma ação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), para pedir uma investigação quanto às denúncias, caso as informações enviadas por Riotur e Liesa não sejam esclarecedoras.
Procurada pela reportagem de O DIA, a Riotur destacou que mantém um “compromisso com o diálogo, a transparência e a valorização do Carnaval como patrimônio cultural da cidade”. A empresa de turismo do Município ainda revelou que está alinhando uma reunião com as Ligas para “tratar os temas de forma conjunta, prezando pelo bom andamento do Carnaval 2026, com equilíbrio, legalidade e respeito às escolas de samba e às suas comunidades”.
A reportagem também procurou a Liesa, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue disponível para manifestações.
Protesto
No último dia 21, as agremiações da Série Ouro já haviam realizado um protesto tendo como alvo a questão do credenciamento promovido pela Liesa, que, segundo a Liga RJ, tem dado preferência a convidados sem vínculo institucional, com livre acesso a pista e camarotes, para deixar de fora sambistas e demais pessoas ligadas ao Carnaval.
Na ocasião, os presidentes das escolas de samba estiveram na sede da Riotur, na Cidade Nova, para protocolar um documento oficial: “As agremiações da Série Ouro não concordam com um sistema que, na prática, exclui sambistas, dirigentes, trabalhadores do Carnaval e veículos de imprensa especializados, enquanto libera centenas de credenciais para influenciadores digitais, convidados sem vínculo com o samba e amigos pessoais de pessoas influentes”, dizia uma nota.
A 'elitização' da festa popular também foi criticada. "As escolas da Série Ouro lutam para manter o Carnaval como uma festa do povo, com valores justos de ingressos, porém o modelo atualmente adotado exclui o verdadeiro sambista e as comunidades, tornando o acesso cada vez mais restrito."
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