Desfile do Grupo Especial Carnaval 2026 - Desfile da G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense, na Avenida Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio de Janeiro, neste domingo (15). Foto: Carlos Elias/ Agência O DiaCarlos Elias/ Agência O Dia
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial começou na Marquês de Sapucaí com a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente em um camarote ao lado do prefeito Eduardo Paes. A escola, que busca se manter na elite do Carnaval, iniciou o esquenta com Fafá de Belém e viu o público do Setor 1 entoar o refrão do samba, embora a animação não tenha se espalhado pelas arquibancadas.
O desfile percorreu a trajetória de Lula desde o nascimento em Pernambuco até a consolidação como líder sindical no ABC paulista. Alegorias e fantasias retrataram o sertão nordestino, a mudança da família para São Paulo sob a liderança de Dona Lindu — interpretada por Dira Paes — e os primeiros ofícios do presidente, como engraxate e metalúrgico. Um dos carros destacou a atuação no Sindicato dos Metalúrgicos, com uma grande escultura metálica do homenageado e efeitos que simulavam ferro derretido, enquanto outra alegoria simbolizou as desigualdades sociais no Brasil, contrapondo a fartura da elite a casebres da população mais pobre.
Os dois últimos carros enfrentaram problemas técnicos e atrasaram a evolução, incluindo o içamento de um busto do presidente minutos antes da entrada na avenida e a ausência da primeira-dama Janja no destaque final. Apesar dos contratempos, a escola completou o desfile em 79 minutos, sem buracos, mantendo evolução considerada satisfatória. Embora o público tenha permanecido mais contido, a comunidade mostrou força na pista, com destaque para a emoção da rainha de bateria Vanessa Rangeli, do mestre-sala Emmanuel Lima e da porta-bandeira Tainara Matias.
Imperatriz Leopoldinense
A escola de Ramos apresentou um espetáculo marcante em homenagem a Ney Matogrosso. Já na madrugada de segunda-feira (16), o cantor de 84 anos cruzou a Sapucaí com um figurino assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, adornado com mais de 40 mil cristais verdes. As alegorias chamaram atenção pelo uso intenso de cores e por referências às múltiplas fases do artista, conhecido pelo perfil camaleônico e transgressor.
Os carros alegóricos impressionaram pelo impacto visual e pelo simbolismo. O primeiro trouxe uma representação realista de “O Homem Neandertal”, música lançada em 1975, cercada por camaleões brilhantes que simbolizavam a recusa de rótulos ao longo da carreira. Fantasias também retrataram personagens marcantes como o “Bandido”, a figura mascarada de “Secos e Molhados” e o “Bandoleiro”, reforçando a proposta artística — e não biográfica — da homenagem. Apesar da grandiosidade, o segundo carro enfrentou dificuldades na curva da avenida e parou por cerca de quatro minutos, mas a escola evitou buracos e manteve a evolução, concluindo o desfile em 79 minutos.
Outros destaques incluíram a alegoria de um lobisomem de cerca de 20 metros, com movimentos e olhos vermelhos piscando, além da bateria fantasiada de “Bandido” e da rainha Iza, que desfilou com figurino de serpente soltando fumaça. O samba não empolgou as arquibancadas, embora a letra tenha ressaltado a postura política do artista e sua resistência à Ditadura Militar. O ápice da apresentação ocorreu quando Ney surgiu no alto da última alegoria, emocionado e vibrante, dançando e cantando enquanto exibia um figurino com cristais, moedas douradas e 75 mil canutilhos, arrancando aplausos da comunidade na Sapucaí.
Portela
A Portela entrou na avenida em busca do 23º título com o enredo “O mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, exaltando a religiosidade, a cultura e a resistência da população negra no Rio Grande do Sul, estado com o maior número de terreiros no país. A escola desenvolveu a narrativa a partir do encontro entre o personagem folclórico Negrinho do Pastoreio e o orixá Bará, do Batuque gaúcho, e apresentou a trajetória do Príncipe Custódio, africano do Benin que se estabeleceu no Sul do Brasil e ganhou reconhecimento como curandeiro e feiticeiro.
Logo no esquenta, a emoção tomou conta da azul e branco de Madureira. O intérprete estreante Zé Paulo Sierra conduziu sambas marcantes enquanto Vinicius Suma, filho de Gilsinho, chorou ao lembrar o pai, que morreu no ano passado após 18 anos como voz oficial da escola. Na avenida, a comissão de frente apostou em efeitos de luz e surpreendeu ao colocar um componente sobrevoando o público com o auxílio de um drone cenográfico. O abre-alas, o maior da história da agremiação, encenou um xirê para simbolizar o encontro entre Bará e Negrinho do Pastoreio, enquanto outras alegorias destacaram a tradicional águia da escola e uma referência a Iemanjá com água em movimento.
Apesar do impacto visual, o quinto e último carro, que levava a Velha Guarda, apresentou problemas e quase ficou fora do desfile, obrigando a escola a parar e provocando um clarão na avenida. Ainda assim, a Portela conseguiu reorganizar a evolução e encerrar a apresentação dentro do tempo regulamentar. A bateria Tabajara do Samba, agora sob comando de mestre Vitinho, acompanhou a rainha Bianca Monteiro, que completou 10 anos no posto com figurino prateado luxuoso. As fantasias também se destacaram, com alas iluminadas por LED criando efeito de voo
Mangueira
Na avenida, a comissão de frente apresentou um efeito visual impactante, com marionetes de onças e uma imponente árvore-mãe no centro da coreografia. A bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, comandada por Taranta Neto e Rodrigo Explosão, manteve o público animado ao lado do intérprete Dowglas Diniz, incorporando a caixa de marabaixo às paradinhas e reforçando o canto forte da escola. A rainha Evelyn Bastos desfilou com figurino que remetia à fumaça de feitiço, enquanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cyntia Santos, demonstrou sintonia e precisão.
As fantasias e alegorias trouxeram referências à fauna e à flora da chamada Amazônia Negra e celebraram o legado do homenageado. Apesar do impacto visual, o primeiro carro enfrentou problemas ao deixar a avenida, o que gerou apreensão e mobilizou dezenas de integrantes para empurrar a estrutura na Praça da Apoteose. A escola resolveu a situação sem comprometer o tempo regulamentar e encerrou o desfile em 79 minutos. No último carro, a família de Mestre Sacaca, incluindo a viúva Madalena Sacaca, de 93 anos, acompanhou a homenagem e emocionou o público ao saudar a Sapucaí diante de uma grande representação do curandeiro.




































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