Velha-guarda da União de Maricá com troféu do título: teve gente que até passou mal, mas não arredou péRomulo Cunha / Agência O Dia
Ao DIA, Aduni Benton, diretora da ala da Velha-Guarda, contou que não conseguiu dormir depois de receber o título e chegou até a passar mal de emoção. Ela virou o dia celebrando na quadra.
"Ninguém dormiu com esse barulho. Como consegue? Eu estava passando mal e o pessoal querendo chamar ambulância pra mim, mas era só emoção mesmo e a alegria de 11 anos que estou aqui para gritar esse grito de vitória e de campeã", revelou.
Benton aproveitou para lembrar a trajetória da escola, nesse pouco mais de uma década de fundação. "Somos a caçulinha. A gente veio da Intendente, ensaiávamos no chão de barro e não tínhamos quadra. Foi um sonho sonhado com o nosso prefeito Washington Quaquá e começou a ser realizado com o nosso primeiro presidente, que já faleceu, Mauro Alemão. Ele sempre acreditou. Hoje, finalmente chegamos onde queríamos. A gente sempre acreditou nesse trabalho lindo", completou.
Cria da comunidade, a rainha de bateria Rayane Dumont também esteve presente na quadra nesta manhã. Ela, que começou como passista em 2018, afirmou que a emoção com o título seguiu com a celebração durante toda a noite.
"É uma emoção muito grande. Ver a escola passar por todo o processo de evolução desde a Intendente até ir para o Grupo Especial, em 2027, é muito emocionante. É uma honra muito grande representar a minha comunidade, onde sou nascida e criada, e ver o meu povo feliz é mais gratificante ainda", disse.
O mestre de bateria Paulinho Steves mora há cinco minutos da quadra e destacou que respira a União de Maricá desde a sua fundação. Ele comandou a festa nesta sexta.
"Você tem um mestre de bateria muito feliz, realizado e com vontade de passar essa Avenida no Grupo Especial. Se pudesse, já começava o ensaio amanhã mesmo. Eu respiro a União de Maricá, moro há cinco minutos daqui da quadra. Estou lisonjeado por poder comandar o coração da escola", discursou.
O mestre-sala Fabrício Pires e a porta-bandeira Giovanna Justo também amanheceram na quadra nesta sexta. Para eles, que receberam nota 10, trata-se da realização de um sonho.
"A gente acabou de completar três anos, e quando fomos contratados a ideia era chegar ao Grupo Especial o quanto antes. Nesses três anos, a gente foi ganhando esse espaço, a comunidade ganhando força e, hoje, a escola tem um projeto estruturado e uma comunidade apaixonada. Estamos muito felizes por contribuir por esse momento, que está na história da escola e da nossa", disse Fabrício.
"Estou muito feliz pela comunidade. Foi um presente que receberam por trabalhar muito. Foi um trabalho árduo, eu quase não ficava com a minha família. Isso é um processo que requer muito da dedicação do casal e o reconhecimento vem através do trabalho", completou Giovanna.
A União de Maricá começou a apuração com 0,2 de penalidade. Perdeu pontos em Alegorias e Adereços (0,1) e Evolução (0,2), mas conseguiu nota 10 em todos os outros quesitos, somando 269,4 pontos e conquistando o título da Série Ouro.
Com o enredo 'Berenguendéns e Balangandãs', a escola exaltou a força das mulheres pretas a partir da história dos balagandãs e das joias de crioula, símbolos de identidade, resistência e afirmação cultural. O desfile apresentou alegorias grandiosas e fantasias com acabamento impecáveis.





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