Presidente do Cordão do Bola Preta, Pedro Ernesto MarinhoReginaldo Pimenta

Foi dado o pontapé oficial, nesta quinta-feira (10), para o início da reconstrução e restauração do Centro Cultural do Cordão da Bola Preta, sede do mais antigo bloco carnavalesco do Rio. O projeto prevê a modernização do espaço, com recuperação das fachadas e melhorias na infraestrutura. Os ambientes internos ganharão bistrô, área para shows, camarote, espaços de convivência e área administrativa.
Localizada nos imóveis de nº 90 da Rua do Lavradio e nº 1 da Rua da Relação, no Centro do Rio, a sede integra a Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) da Cruz Vermelha, criada pelo Decreto nº 11.883/92.

De acordo com a Prefeitura do Rio, o investimento é de R$ 8,3 milhões, e a previsão é que as obras sejam concluídas no primeiro semestre de 2027. Durante a cerimônia, o presidente do bloco, Pedro Ernesto Marinho, comentou sobre os valores envolvidos na reconstrução.

"Muita gente se diz assustada com o valor de quase R$ 9 milhões, mas, em comparação aos 108 anos do Cordão da Bola Preta e os milhares de foliões em seus desfiles por todos esses anos que geram renda para centenas de pessoas numa apoteose da economia criativa, além de valorizar a cultura, o carnaval carioca e a imagem da Cidade Maravilhosa é um presente que valoriza quem valoriza a nossa cidade", disse.

O presidente também informou que as atividades da instituição não vão parar durante as obras. "Vamos esperar com toda tranquilidade o final da obra. Enquanto isso, estaremos em uma sala no antigo prédio na Avenida 13 de Maio, uma sala administrativa, e de lá vamos programar o que vamos fazer. Em outubro, vai ter uma feijoada em Olaria. Enfim, nada do que o Bola Preta faz deixará de ser feito", completou.

Com a reforma, o espaço será modernizado para ampliar as possibilidades de uso ao longo de todo o ano, com atividades culturais permanentes ligadas ao samba, ao Carnaval e à memória da cultura popular carioca, além de abrir novas oportunidades de geração de emprego e renda.

"Esse espaço é importante para celebrar o legado e o futuro da Bola Preta, que é o pai de todos os blocos. Ele é importante não só para o Carnaval de rua, mas para a memória da cultura e do patrimônio material da cidade do Rio de Janeiro. Ele se integra nesse corredor de revitalização que passa pela Lapa, Avenida Chile e Rua do Senado, nesta esquina tão importante para a consolidação dos circuitos culturais no centro da cidade", afirmou o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha.

A área total construída é de cerca de 1,3 mil metros quadrados, com capacidade para receber aproximadamente 1.200 pessoas. O projeto também prevê adequações de acessibilidade e a implantação de sistemas de prevenção e combate a incêndio e pânico, garantindo mais segurança e conforto para o público.

História do bloco de rua mais antigo do Rio

Fundado em 31 de dezembro de 1918, o Cordão da Bola Preta surgiu a partir da reunião de amigos no bar Cave de Ouro, na Rua da Carioca, com o objetivo de preservar o Carnaval tradicional de rua, em um período de intensas transformações urbanas e culturais no Rio de Janeiro. Desde sua origem, o bloco adotou as cores preto e branco como identidade e consolidou-se como expressão popular aberta, democrática e acessível.

Ao longo do século XX, especialmente entre as décadas de 1930 e 1970, o Bola Preta manteve o formato de cordão carnavalesco, com marchinhas, metais e percussão, resistindo ao desaparecimento de outros blocos e à transformação de muitos deles em escolas de samba. A sede do bloco, que por anos funcionou na Avenida Treze de Maio e hoje está instalada na Rua da Relação, tornou-se espaço de encontro de músicos, boêmios e foliões de diferentes gerações.

No século XXI, com a retomada e o fortalecimento do Carnaval de rua, o Cordão da Bola Preta consolidou-se como um dos maiores símbolos da festa popular no país, reunindo milhões de foliões em seus desfiles pela Avenida Rio Branco, tradicionalmente realizados no Sábado de Zé Pereira, que marca a abertura dos festejos no Centro da cidade. A reconstrução do Centro Cultural representa um novo ciclo de fortalecimento dessa tradição, criando condições para a preservação da memória, do samba e do Carnaval de rua como patrimônio vivo do Rio.