Gominho no velório de Preta GilÉrica Martin / Agência O Dia
"A Preta muda vidas de formas muito sutis. Eu falo dela no presente, porque ela é muito viva em mim. Eu tenho muito dela e ela, muito de mim. Ela mudou minha vida da forma mais doida. Eu estava no show dela dançando, nunca tinha visto ela. Eu gostava dela pela ousadia do álbum. Ela me viu lá de baixo e disse: 'viado, vem dançar no palco'. E assim começou nossa amizade, há mais de 17 anos. Se colocou em tudo que podia para eu trabalhar. Se hoje eu estou no Multishow, na Globo, é graças a ela desde 2015. Ela criou um projeto para poder me colocar lá."
Gominho contou que o processo de despedida começou muito antes da morte da amiga, desde o diagnóstico do câncer. "É um momento muito triste. Eu estou vivendo um luto diferente das pessoas. Como eu estou com ela desde o começo, eu já tive tempo para maturar isso. Quando eu voltei de Nova York, eu já tinha entendido tudo, então já tive um luto vivo por três anos, vendo essa batalha. Quando saiu o resultado da metástase, eu continuei com a fé junto com ela, mas eu já tinha sentido algumas coisas."
Apesar da dor, o apresentador preferiu exaltar a força e o legado de Preta. "Prefiro ver minha amiga livre daquela dor. Que ela descanse em paz e que a gente continue celebrando a vida dela. A presença dela vai continuar viva dentro de mim, no Carnaval do Brasil."
Ele também destacou o que aprendeu com a cantora ao longo dos anos. "O que sobra dela é a alegria, o astral, a presença, o pé na porta de ser quem é, os ensinamentos muito naturais de vida. Eu, pelo menos, aprendi todos. Fui um bom aluno dela."
Ao definir a amiga em uma frase, foi direto: "Preta é uma entusiasta do ser humano."
Em tom de admiração, Gominho lembrou a atuação de Preta no Carnaval de rua do Rio de Janeiro. Na véspera do velório, a Prefeitura do Rio oficializou o nome "Circuito Preta Gil" para o trajeto dos megablocos de Carnaval no Centro da cidade. A homenagem foi marcada pela instalação de uma placa na Avenida Presidente Antônio Carlos, local por onde a artista desfilou por mais de duas décadas e se tornou símbolo da folia carioca. "Nada mais digno. Ela lutou por aquele bloco, pelo espaço para os grandes blocos. Não tinha, era uma brigalhada."
Gominho também falou sobre o estado emocional dos pais da cantora, Gilberto Gil, de 83 anos, e Sandra Gadelha, conhecida como Drão, de 77. "Ficou todo mundo muito preocupado com a Drão, mas acabou que ela acolheu todo mundo, surpreendentemente, porque é mais um filho que ela perdeu. Eu estava morando com ela enquanto a Preta estava nos Estados Unidos e a gente conversava bastante. Quando eu voltei de Nova York e senti que ela não ia voltar, eu fiquei sem coragem de encarar a Drão, ela ia me perguntar da filha. Mas ela é uma mulher muito sábia, assim como a Preta. Ela me falou algumas vezes: 'Será que vou enterrar mais um filho?' Ela está bem e não está médica. O Gil está bem também", comentou ele, se referindo à morte de Pedro Gil, que faleceu em 2 de fevereiro de 1990, aos 19 anos.
A cerimônia de despedida seguiu no Cemitério da Penitência, onde o corpo foi cremado às 17h, conforme desejo manifestado por Preta. A cantora morreu aos 50 anos, no último domingo (20), em Nova York, em decorrência de complicações de um câncer.







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