Rio - DJ Marlboro utilizou as redes sociais, nesta quinta-feira (19), para se pronunciar sobre a polêmica por disputa de direitos autorais. O produtor rebateu as acusações de funkeiros, incluindo Tati Quebra Barraco, e chegou a afirmar que a MC "está mentindo ou foi enganada".
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"Eu lancei o LP da Tati, 'Boladona', porque sempre achei ela muito verdadeira, sincera e transparente. Então, a informação que a Tati deu, ou ela mentiu ou está sendo enganada. Porque as informações que ela deu, não batem com a realidade".
"Ela abriu o vídeo falando que começou aos 17 anos e sempre foi enganada. Mas faz 'coraçãozinho' para quando começou com 17 anos. Depois ela diz que com 18 anos foi para outra família e que lá colocaram o nome de várias pessoas na música que era dela", continuou.
"E até então, ela não tinha feito nada comigo. A Tati foi fazer um trabalho comigo quando tinha 24 anos em 2004. E agora, se ela mandou 'coraçãozinho' e chamou de 'família', falou o meu nome e o do Dennis dizendo que sempre foi enganada, ela tinha que falar realmente o período em que ela foi enganada. Porque depois de 2004, ela nunca foi enganada comigo. Porque nenhuma das músicas dela tem o meu nome. Tem o nome do irmão dela como autor da maioria. O disco dela foi lançado e trabalhado como uma gravadora deve trabalhar".
"Impedir a publicidade é dar tiro no próprio pé. Ela disse que está 'exausta' porque não autorizo nada. Não é verdade. Porque eu fui buscar os documentos. Como sou administrado, não posso falar sem documentos na mão", falou o DJ, ao mostrar que só recebeu uma solicitação e publicidade com o sucesso de Tati, realizado em setembro 2024. Quando recebeu o pedido, Marlboro disse que solicitou mais detalhes sobre a publicidade. "Para pegar a tabela de mercado, fazer o preço e passar para eles". No entanto, afirmou que não recebeu retorno.
"Teve também a consulta de um filme que tinham várias músicas. Eles queriam que 'Boladona' fosse de graça para o filme. Eu falei: 'Cara, desculpa, você está pagando todo mundo... o funk é menor que as outras músicas?' [...] Não posso autorizar de graça. Agora, não foi negada nenhuma publicidade como a Tati falou. Só que eu gosto, amo a Tati, mas ela não pode mentir. Ou alguém vendeu essa mentira e ela está achando que é verdade"
"Eu tenho o contrato artístico dela, tenho autorização de voz... Três DJs receberam pagamento, na época, por 'Boladona'. Um é o DJ Oli e as outras duas são do Batata. O DJ Batata fez um remix e uma versão normal, e recebeu para poder fazer. Quem pagou foi a gravadora, não foi a Tati".
"E no contrato artístico tenho autorização de imagem para trabalhar as músicas do disco. Eu não posso pegar a imagem dela [Tati] e usar de outra forma, não posso pegar imagem e voz e usar para uma coisa diferente. Mas para promover o disco, no contrato artístico eu posso usar a imagem. Isso é normal em qualquer gravadora ao redor do mundo".
"É um tiro no pé não pagar as pessoas. Se eu não pagar e respeitar, eu dou margem para os meus direitos também não serem respeitados. Então, música é direito de todos. É direito do artista, da editora, autor, gravadora. E se algum desses negar o direito de alguém, ele vai perder os direitos dele", falou o produtor.
Em seguida, falou o motivo de ser seletivo ao autorizar remix, já que autorizou na música "São Paulo", de The Weeknd e Anitta. "Também tem a questão do remix. [...] Eu não posso sair pulverizando a música. Na hora que o artista grande quiser, vai ter um monte de remix pequeno que não vendeu nada. [...] Aí a Anitta pede um remix, como foi na música da Tati, porque a Anitta vai fazer render dinheiro para os autores. Anitta só gravou porque não tinha um monte de remix. Então, tenho que ter cuidado com as autorizações que dou".
"Ela [Tati] diz que não autorizo as músicas. Como que autorizei para Anitta? Porque é uma artista que vai dar visibilidade à música e à Tati. Vai dar dinheiro para a Tati. Então, não tem lógica eu impedir que a música seja usada de forma correta e rentável".
"Quando a Tati lançou a primeira músicas, aos 17 anos, que ela diz que foi enganada, está no nome de dois DJs. Eu liguei para o Dennis, ele prontamente mandou uma carta dizendo que a música não era dele. Fizemos toda a correção que tinha que ser feita. Uma coisa que ela tinha sido enganada aos 17 anos e eu que fui resolver".
"Quando eu comprei todo o catálogo da [gravadora] Pipos, eu tentei dividir as músicas e dar para realmente quem fez o quê. Os autores disseram 'não', que o jeito que estava deveria ficar. Mas eu tentei fazer a correção. Porque o ex-dono da Pipos colocava o nome de todos os DJs que faziam parte da gravadora naquele período nas músicas. [...] Eu poderia alterar os contratos, se todos concordassem. Se um só fala que não quer, não tenho o que fazer, tenho que respeitar o contrato. Mas eu tentei".
Após o pronunciamento de Tati, realizado no domingo (15), Buchecha foi um dos artistas que demonstraram apoio à ela. "Eu também já fui vítima dessas editoras do funk", falou o cantor, na ocasião. Marlboro comentou: "O contrato que o Buchecha assinou com a Universal, foi o mesmo que assinou comigo nas quatro primeiras músicas. O contrato que assinou na Warner, foi o mesmo comigo. É igualzinho, não tem diferença. Essa coisa de que o funk é tudo diferente, não é verdade. Comigo sempre foi tudo igual. Inclusive, as prestações de contas, quando solicitadas, nunca foram negadas".
O produtor também falou sobre os direito dos herdeiros de MCs que morreram, incluindo Claudinho (1975-2002), antiga dupla de Buchecha. "O Claudinho, o processo está arquivado e está sendo acertado. Por causa do inventário que deveria fazer. Recebeu dinheiro que estava acumulado devido o tempo que ficou. A gente não pode pagar sem ser o inventário".
Logo após, mencionou os herdeiros do MC Castra (1968-2018), que também apoiaram Tati. "A filha do MC Catra, Tamires, que foi eleita como inventariante, entrou em contato com a gente no dia 3 de março. Foi a primeira vez. Me ligou até. [Falei]: 'Não tem problema. Passa as documentações que o pessoal vai acertar tudo direitinho com você e vai depositar em juízo'".
Ele, ainda, citou Marcinho (1977-2023), alegando que sempre foi "correto" ao realizar os pagamentos estipulados em juízo. "O Marcinho é só o juiz liberar o dinheiro para os familiares poderem receber. Não tem nada de errado que eles possam falar da minha gravadora, editora e atitude. Eu sempre fui uma pessoa muito correta, muito certa. Quem me conhece, sabe disso".
"Tem gente reclamando que foi roubado e a música não era nem minha. Eu não tenho como responder por [algo que aconteceu antes] de eu comprar o catálogo da Pipos. E depois disso, a música não foi lançada e comercializada. Então, a pessoa só receberia se houvesse a comercialização da música. 'Ai, a minha música toca para caramba e não recebo nada'. Mas quem paga a execução pública não sou eu. Estuda, cara. Quem paga é o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD)".
"Foi bom acontecer isso para a gente ver realmente quem é amigo e quem não é. Quem é Judas, quem bate nas suas costas, agradece o tempo inteiro, puxa o seu saco e depois vai lá e fala besteira. Inclusive, uma dessas que falou besteira, fez acusação sem ter nenhuma prova".
Além disso, rebateu outra cantora, sem citar nomes. "Me pediu adiantamento uma vez e eu fiz. Aí depois estava com dificuldade para comprar carro ou colocar documentação em dia, pegou R$ 10 mil emprestado. Se eu não pago, como eu empresto dinheiro?", retrucou ele.
"Eu não pago porque ela pagou o dinheiro adiantado. É muito triste. Às vezes a gente está o tempo inteiro tentando ajudar e a pessoa tem esse tipo de ingratidão. Quando ela fala e não dá nome a quem paga, ela acaba me colocando no mesmo bolo. Ainda mais puxando um apoio à Tati, que também não dá nome a quem a enganou".
"Eu não deixei de pagar os direitos dela e as autorizações, tenho interesse. Porque preciso que seja autorizado, porque sou o administrador. Sendo assim, quanto mais a música render, mais o autor e eu ganhamos. Só que o autor ganha 75% e eu 25%. Mas de qualquer forma, não me interessa ficar com a música parada", concluiu Marlboro.
Entenda
No domingo (15), Tati Quebra Barraco falou sobre disputas de autorias de músicas, afirmando que foi enganada desde o início da carreira. No desabafo, a MC acusou artistas, inclusive Dennis DJ, de receberem pelas letras compostas por ela, enquanto a própria funkeira não ganha.
Logo após, Dennis procurou a MC, alegando que também foi enganado na época e que achava que a situação já havia sido resolvida quando foi procurado por Marlboro. O DJ, ainda, se comprometeu a devolver o dinheiro, caso tenha recebido indevidamente. Além disso, Tati expôs a briga com DJ Marlboro pela música "Boladona", seu maior sucesso.
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