Taís Araujo celebrou as três décadas da estreia de ’Xica da Silva’Reprodução/Instagram

Taís Araujo, de 47 anos, comemorou nesta quinta-feira (17) o aniversário de três décadas da estreia da novela "Xica da Silva" (1996), novela da Rede Manchete que marcou sua estreia como protagonista. A atriz resgatou cliques dos bastidores da trama e com os antigos colegas de elenco.
"Há exatamente 30 anos, ia ao ar o primeiro episódio da novela que mudou a minha vida, 'Xica da Silva' foi um marco para o início da minha carreira. Quando recebi o convite do Walter Avancini, entrei em desespero e chorei. A Zezé Motta, que já tinha sido a Xica no cinema, me acolheu com todo o afeto do mundo, mas me disse algo fundamental: O abraço estava garantido, mas a construção daquela personagem teria que vir de mim", recordou. 
A artista desabafou sobre os desafios que enfrentou durante as filmagens e os conflitos com o diretor, Walter Avancini. "Se não fosse a minha mãe, dona Mercedes, ao meu lado o tempo inteiro, talvez o desfecho tivesse sido outro. Ela enfrentou o diretor, colocou limites quando quiseram ultrapassá-los e me ensinou a me impor também. Entrávamos em embate porque eu não aceitava me submeter. Ali, no meio do furacão, entre o medo de errar e a exigência de amadurecer à força, aprendi o que era ter disciplina e respeito pelo meu ofício". 
Menor de idade no começo do folhetim, Taís Araujo comentou a pressão para as cenas sensuais da personagem. "E, embora a mídia fizesse até uma contagem regressiva cruel para o meu aniversário de 18 anos, esperando o momento de expor meu corpo nas telas, o debate sobre racismo e letramento racial quase não existia, e tentavam reduzir a Xica e a mim à pura hipersexualização. Mas a Xica era muito maior do que aquilo que queriam ver, ela era estrategista, articuladora, inteligente e livre. Aos trancos e barrancos, eu também fui me tornando um pouco disso", contou. 
A atriz reforçou como o projeto foi um divisor de águas em sua trajetória artística. "Olho para aquela menina de 17 anos, corajosa e destemida, com um orgulho imenso. Ela não sabia que estava fazendo história; só queria sobreviver àquele estúdio e fazer o melhor trabalho possível. 'Xica da Silva' mudou a minha vida para sempre. Me deu a casca e a voz para ser quem sou hoje. E ver que, hoje, as jovens pretas olham para trás e sabem que o lugar delas é onde elas quiserem estar... faz cada segundo daquela travessia valer a pena", finalizou.