Astro da Música Popular Brasileira (MPB) e da Bossa Nova, Antonio Pecci Filho, mais conhecido como Toquinho, celebra 80 anos - e mais de seis décadas de carreira - com a turnê "Só Tenho Tempo Pra Ser Feliz". O cantor e compositor sobe ao palco do Vivo Rio, na Glória, Zona Sul da capital fluminense, na noite desta sexta-feira (2), com um repertório repleto de sucessos. A apresentação também será marcada pela gravação do audiovisual do projeto.
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"É um espetáculo de muito afeto e de grande cumplicidade. Sempre digo que o palco é a extensão da minha casa, então vou receber o público como quem recebe amigos na sala. Misturo o acolhimento do meu violão, que é o ponto de partida e o desenvolvimento de tudo que faço, com a força e a cor de uma banda completa. Vamos passear por mais de seis décadas de estrada com muita leveza, alegria e aquela simplicidade que a própria música exige", afirma o artista.
A apresentação é uma das últimas da turnê. Toquinho, então, comenta quais são as expectativas para se despedir do projeto junto ao público carioca. "O Rio sempre teve uma energia mágica e decisiva na minha trajetória. Foi aí que vivenciei momentos inesquecíveis ao lado de grandes mestres e onde fiz temporadas marcantes. Tocar para o público carioca é sempre um reencontro caloroso. Como estamos no encerramento dessa turnê comemorativa, a expectativa é de uma noite de celebração total, com a plateia cantando junto do começo ao fim."
O cantor ressalta que "cada apresentação é tratada com um rigor técnico e uma sensibilidade imensos". "Preparamos uma estética visual cuidadosa, iluminação especial e uma dinâmica de palco muito redonda para valorizar essa atmosfera única. Mas a grande magia é sempre a verdade do momento presente. Celebrar esses 80 anos diante de uma plateia vibrante faz com que cada dedilhado no violão e cada interpretação ganhem uma intenção e uma emoção ainda mais profundas, tornando o espetáculo inesquecível", comenta.
O show conta com banda completa e novos arranjos. Com tantos anos de carreira, o artista fala sobre a importância de se reinventar. "Eu me considero um artesão, e o artesão precisa exercitar a mão e a cabeça diariamente para não cair na rotina. A rotina é a morte do artista. Trazer a banda inteira e renovar vestimentas sonoras para canções que venho tocando há 40 ou 50 anos é o que me mantém aceso. Reinventar-se não é perder a essência da Bossa Nova ou da nossa harmonia, mas buscar a cada ano novos desafios e o contínuo aprimoramento do ofício."
Apesar da carreira longa e consolidada, Toquinho revela que ainda se emociona em cada apresentação. "Se um dia o violão virar uma obrigação fria ou se eu subir ao palco sem sentir aquele arrepio no peito, é hora de pendurar o instrumento. O palco continua sendo meu lugar favorito no mundo. Cada plateia tem uma respiração, uma vibração própria, e essa troca amorosa com quem está ali me comove hoje da mesma forma que me comovia lá no início", diz.
O artista adianta quais canções integram o setlist estrelado, que revisita diferentes momentos da sua trajetória marcada por sucessos atemporais. "Não posso deixar de fora as canções que são a espinha dorsal do meu trabalho e que o público tem um carinho imenso, como 'Aquarela', 'Tarde em Itapuã', 'Que Maravilha', 'Samba de Orly' e 'Regra de Três'. Também trago solos do meu violão, prestando tributo a mestres como Baden Powell e Vinicius, além de alguns temas instrumentais e parcerias com a Camilla. É um panorama bem completo da minha caminhada."
Durante a turnê, ele divide vocais com Camilla Faustino. Ao falar sobre o encontro de gerações, Toquinho não poupa elogios à cantora. "É uma artista extraordinária! Ela tem uma afinação impecável, um alcance vocal belíssimo e uma presença de palco que contagia. Essa convivência no palco é uma troca muito generosa: eu entro com o meu violão, com a bagagem de anos de palco e com as histórias dos meus parceiros; ela vem com essa força jovem e com uma maturidade musical impressionante. Essa mescla de gerações traz um frescor indispensável para as músicas", exalta o veterano.
O cantor analisa a relação da juventude atual com as suas obras, citando as parcerias com Vinicius de Moraes (1913-1980) e Chico Buarque. "Vejo como um ciclo natural e gratificante. A música brasileira é abençoada por uma riqueza harmônica e poética única no mundo. Uma canção bem-feita não tem prazo de validade. Fico imensamente feliz ao ver crianças e jovens cantando as composições que fiz com o Vinicius de Moraes ou com o Chico Buarque. A garotada de hoje tem um acesso rápido a tudo e, quando descobre a Bossa Nova ou o samba feito com verdade, abraça de imediato. É a renovação do meu próprio público."
Sucessos
O artista vibra com a grandiosidade da sua obra, que faz parte da vida e do imaginário dos brasileiros. "É a maior gratificação para quem escolheu a música como vida". Em seguida, menciona, novamente, o amigo e parceiro na música.
"Dificilmente acontecerá algo tão profícuo quanto o que vivi ao lado do Vinicius, fundado na generosidade e na amizade. Saber que nossas canções embalaram casamentos, momentos em família, a infância das crianças com a 'Arca de Noé' ou que serviram de incentivo para alguém aprender violão, me dá a certeza de que meu empenho criativo valeu a pena. É um privilégio ser a trilha sonora do afeto das pessoas", vibra o compositor.
Toquinho e Vinícius colaboraram em inúmeras canções ao longo de onze anos, até a morte do Poetinha, em julho de 1980. As músicas "Onde Anda Você", "Sei Lá (a Vida Tem Sempre Razão)", "Tudo na Mais Santa Paz", "Samba Da Benção" e "Meu Pranto Rolou" integram a parceria dos dois.
Projetos futuros
Toquinho detalha quais são os projetos futuros, destacando o trabalho diário. "A cabeça do compositor não descansa! Além de lançar esse audiovisual do show, sigo com a agenda movimentada por todo o Brasil e com compromissos internacionais agendados no exterior. O violão continua no meu colo diariamente, gerando novas ideias, novos arranjos e colaborações. O meu projeto constante é continuar compondo, tocando e vivendo a música com alegria", revela o cantor.
Serviço
Toquinho Sexta-feira, às 21h Local: Vivo Rio Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo Ingresso: A partir de R$ 90
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