Toquinho lança o álbum 'Novas Cores, Eternas Canções' com regravações de sua discografiaDivulgação/Marcos Hermes
Toquinho reúne Caetano Veloso, Sandy e Pedro Bial em novo álbum: 'Canções rejuvenescidas'
Aos 76 anos, cantor e compositor conta detalhes do 'mosaico' que criou em seu disco mais recente
Rio - Um dos maiores compositores da história da música brasileira, Antonio Pecci Filho, o Toquinho, lançou recentemente o álbum “Novas Cores, Eternas Canções”. No projeto, o cantor de 76 anos revisita seu acervo com clássicos em roupagens diferentes, acompanhado por nomes como Caetano Veloso, Sandy e Giulia Be. Ao longo de oito faixas, o veterano faz uma viagem nostálgica e reafirma seu papel atemporal na construção da MPB.
“São regravações com a participação de artistas convidados e uma atmosfera rítmica e arranjos mais atuais”, explica o artista. O disco lançado em 27 de janeiro nas plataformas digitais é apenas a primeira parte do projeto completo com 21 canções, previsto para chegar em março deste ano. “Separei umas quarenta canções, mais ou menos. Depois, fui vendo cada canção que poderia se adequar com algum convidado e o mosaico foi formado”, diz Toquinho, ao comentar a tarefa árdua de selecionar o repertório que resumisse mais de 50 anos de carreira.
“E, aí, foi um pouco de ‘feeling’, né? De ver tonalidade, a atmosfera da canção, a voz de cada um… Foi ‘feeling’ meu mesmo, ajudado também por Camila e Tiago Faustino, que fomos tateando e vendo quem renderia mais em cada canção. Foi uma coisa mais intuitiva que irracional”, acrescenta o cantor. Além dos cantores citados, Pedro Bial também participou do samba “Testamento”, recitando os trechos falados que pertencem a Vinícius de Moraes na versão original, de 1971.
Após regravar sucessos como “O Velho e a Flor” e “Tarde em Itapuã”, o artista conta que o projeto surgiu de uma conversa com a empresa que administra seu catálogo musical. “A Hurst (Capital) me convidou pra bater um papo sobre regravações e a ideia foi amadurecendo. Eu escolhi uma série de sucessos meus, convidei vários amigos e parti para arranjos novos, com uma linguagem mais atual do Estevez”, conta ele, destacando o trabalho do produtor musical que assina o trabalho junto com Toquinho e Camila Faustino.
O compositor não esconde a alegria com o novo álbum e ainda revela que cogita lançar uma “segunda fase” do projeto. “A sensação realmente é muito agradável, confesso. Rever um pouco da minha obra e constatar que tantas canções fazem parte da memória das pessoas, realmente, é muito satisfatório e realizador. Mas é muito bom, também, ver uma roupagem nova, onde essas canções tomam vida com cores diferentes, como é a intenção do disco”, declara.
Em “Novas Cores, Eternas Canções”, Toquinho também celebra o legado da parceria icônica com Vinícius de Moraes, com quem trabalhou em mais de metade das regravações. Parceiros no clássico infantil “Aquarela”, os dois colaboraram em inúmeras canções ao longo de onze anos, até a morte do Poetinha, em julho de 1980.
Hoje, o cantor fala sobre a emoção de relembrar o patrimônio deixado pelo amigo. “É como se as canções renascessem. Como se elas tomassem uma vida nova, um renascimento, surgissem de uma forma mais atual. E é claro que tudo isso me dá uma alegria muito grande de ver essas canções rejuvenescidas”, declara.
Artista consagrado da música brasileira, Toquinho segue atento ao mercado fonográfico e dá sua opinião sobre o cenário atual. “Eu acho que existe uma versatilidade muito grande, existem compositores, cantores, cantoras, maravilhosos e sempre vão existir, como sempre existiram. Existem coisas boas, de bom gosto, em todos os gêneros e coisas feias, de mal gosto, em todos os gêneros”, comenta.
“A internet entrou na vida da gente de uma forma fatal e é claro que, hoje, nós vivemos em outro mundo, né? As casas discográficas estão se adequando ao mercado e os artistas também”, afirma o compositor que ainda deixa um conselho: “É uma nova linguagem, mas o artista não deve nunca abandonar a sua essência, seu quintal. Ele vai ser sempre original sefor verdadeiro consigo próprio, seja o gênero que for”.
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