Conhecida pelos papéis em humorísticos e novelas, Mariana Santos, de 50 anos, retornou aos palcos com o solo "Morra, Amor", no Teatro TotalEnergies, na Glória, Zona Sul do Rio, em cartaz desde 9 de outubro. A montagem é baseada no aclamado romance da escritora argentina Ariana Harwicz, lançado em 2012.
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Em cena, a atriz dá vida a uma mulher que, isolada em uma casa de campo no interior da França com o marido e o filho bebê, enfrenta o estrangulamento da rotina doméstica, a claustrofobia da maternidade recente e a perda de sentido no casamento.
"É um relato muito sensível, direto e verdadeiro dessa mulher que está tentando se moldar nessa domesticação feminina, nesse universo, sendo uma estrangeira e morando isolada. Ela tenta vivenciar o papel de mãe e esposa, mas não consegue. E o público pode esperar coisas que não são ditas até entre as mulheres. É muito tabu ainda você falar de certos pensamentos que são absolutamente normais", adianta a artista.
A atriz ressalta a animação para subir ao palco diante dos conterrâneos. "Já me apresentei diversas vezes no Rio, eu sou carioca. O público do Rio sempre me abraçou no teatro. As expectativas são sempre as melhores. A gente sempre espera que as pessoas gostem e recomendem o espetáculo. Estou muito feliz de voltar depois cinco anos ao teatro."
Para Mariana, a relevância do espetáculo ocorre justamente por retratar a realidade de muitas mulheres. "[Algumas] ainda passam por isso. [...] [As pessoas] começaram a falar mais sobre esses assuntos, sobre depressão pós-parto. Antigamente era um tabu falar sobre isso. E nem todas as mulheres enfrentam as crises da mesma forma, e nem todas enfrentam a maternidade da mesma maneira", diz.
"Mas a questão é que eu acho que o tema central da peça não é só maternidade e casamento. É você não se sentir. Acho que é uma crise. É você não se sentir inserido, [sentir que não faz] parte de um ambiente ao qual você foi colocado. E isso vale para várias crises, não só maternidade, casamento ou família", completa.
Além dos desafios com a maternidade, as mulheres também sofrem pressão quando não podem ou escolhem não ser mães. "Por incrível que pareça, as mulheres ainda sofrem essa pressão. E a gente tem que respeitar e entender", afirma Mariana, ao explicar que compreendeu que talvez não queira ter filhos.
"Eu acho que maternidade é uma vocação e uma vontade muito grande de exercer esse amor. Eu nunca tive pressão comigo mesma, falar que o relógio biológico vai bater e você vai ter que ser mãe. Nunca coloquei essa carga [em mim]. E comecei a trabalhar muito nova e eu sempre fui adiando a maternidade, sabe? Até que eu entendi que talvez eu não quisesse. Entendi e aceitei. E não senti pressão, pelo menos na minha frente. Claro, sempre perguntam."
A artista, que já escreveu e protagonizou o solo "Só de Amor" em 2019, detalha como foi a preparação para o projeto mais recente. "É meu segundo solo [...] A preparação foi com muito estudo da compreensão desse texto, que é belíssimo. É muito profundo, com muita nuance, desdobramentos e camadas. Então, eu tive que primeiro entender muito bem sobre o que eu ia falar, deixar ele [o texto] direto. Já é um texto muito direto. Ele é ácido, é um texto que tem sutilezas. Então, preparação muito intensa. A gente começou ensaiando um mês na Argentina, tive vários encontros com a Ariana. Muito ensaio, dedicação e por aí vai", pontua a atriz.
As adaptações para o teatro foram feitas pela própria autora do livro. Mariana não poupa elogios à Ariana e à obra. "[Esse livro] me tocou profundamente. E ter essa adaptação feita por ela, eu me senti muito feliz, porque é um texto maravilhoso. Me dá uma responsabilidade enorme poder trazê-lo para o Brasil. Ele já é sucesso na Argentina, feito por outra atriz maravilhosa. E Ariana fez uma outra adaptação para a gente. [...] Eu sou bem fiel ao texto dela, não mudei uma palavra do texto dela."
O solo é dirigido por Victor Garcia Peralta e produzido pelo marido da atriz, Rodrigo Velloni. Mariana ressalta que a parceria pessoal e profissional com os dois já é de longa data. "Com o Victor eu já fiz um espetáculo em 2015. Amo o Victor, nós somos amigos além de tudo. E com o Rodrigo, nossa parceria profissional já vem de muitos anos, porque a gente se conheceu trabalhando no espetáculo ['Atreva-se'] que tinha a direção do Jô Soares. Quando o Jô Soares me chamou para o espetáculo, o Rô produzia o Jô. Então, a gente se conheceu lá", conta.
Comédia e drama
Mariana participou dos programas de humor "MMPT" (2005), do Canal Brasil, "Zorra Total" (2006-2015), e "O Zorra" (2015-2018), da TV Globo. Nas telinhas, integrou o elenco das novelas "Pega Pega" (2017), "Malhação: Toda Forma de Amar" (2019), "Cara e Coragem" (2022), "Elas por Elas", (2023) e "Mania de Você" (2024), da mesma emissora.
Ela comenta a paixão pelos dois gêneros que parecem opostos, mas, que para a atriz, "andam lado a lado". "Amo a comédia. Comecei fazendo comédia no teatro. Gostava de fazer as pessoas rirem, mas também sempre flertei muito com o drama. Acho que a comédia e o drama andam lado a lado. Existe uma tristeza na comédia. Os dois gêneros para mim representam o teatro e gosto dos dois igualmente. Você fazer alguém rir dá um prazer indescritível. E você poder emocionar alguém também dá um prazer enorme. Então, essas duas camadas são muito importantes e me interessam profundamente."
'Fazer essa peça rodar o máximo possível'
Ao falar sobre os projetos futuros, a humorista pretende continuar se dedicando ao solo que a encantou profundamente. "Esse projeto nasceu pelo meu encantamento por esse livro, pela potência da narrativa, clareza e dureza do [texto] da Ariana, pela coragem dela em contar essa história. E isso me encorajou, me tocou em vários lugares. Então, meu projeto futuro é levar isso adiante. Fazer temporada no Rio, São Paulo, viajar o Brasil… e fazer essa peça rodar o máximo possível", diz a atriz.
Serviço
"Morra, Amor", com Mariana Santos Sexta-feira e sábado, às 20h; domingo às 18h Local: TotalEnergies Endereço: Avenida República do Chile, 500 - Centro Ingresso: A partir de R$ 28,75 (mais taxas)
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