Danielle Winits, de 52 anos, integra o elenco da primeira novela vertical da carreira, "Eu Não Era Louca, Era Casada", do Globoplay. No suspense psicológico - de 50 capítulos com episódios curtos - a atriz e produtora dá vida à médica psiquiátrica Regina. Colecionando papéis em diferentes projetos, incluindo folhetins, filmes e espetáculos, a artista comenta as diferenças e desafios de atuar em um novo formato, pensado para ser consumido digitalmente.
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"Essa é minha primeira experiência no universo dos microdramas e posso dizer que foi um trabalho incrível, de dedicação e de uma preparação focada e muito importante para o andamento do trabalho. Além de termos que imprimir a persona da personagem já mais cravada logo no início da história, temos também um tempo mais curto durante a dinâmica de gravação das cenas", afirma Danielle, que complementa:
"Essas foram as únicas diferenças que ficaram mais evidentes para mim. Fora isso, achei fantástica essa nova forma de contarmos uma história de forma mais objetiva e baseada em um tema social de profunda relevância e que precisa ser tratado com urgência como o gaslighting". O termo citado significa uma forma de abuso psicológico em que uma pessoa distorce informações, omite fatos ou mente repetidamente para fazer a vítima duvidar da própria memória e sanidade.
Na trama, Beatriz (Fernanda Rodrigues) é uma galerista bem-sucedida que passa a ter a sanidade colocada em xeque por uma cruel armação realizada pelo próprio marido, Vítor (Ricardo Pereira). Ele procura a médica psiquiátrica, Regina (Danielle Winitis) - com quem já teve um envolvimento amoroso - a fim de que ela compactue com a armadilha contra a mulher.
"Ao longo do microdrama veremos se esse plano nefasto dará certo ou não. Posso dizer que Regina tem papel fundamental dentro desse enredo que aborda a violência psicológica tão presente na vida de tantas mulheres", adianta Winits.
Para a atriz, a importância de abordar a violência e o abuso psicológico endereçado às mulheres está mais do que evidente na sociedade. "A urgência se faz presente diariamente em todos os veículos informativos que tratam do assunto com a seriedade necessária. Eles nos trazem casos diários, estarrecedores, dos quais muitos deles começaram com a violência psicológica, terminando em feminicídios. É uma epidemia grave, secular, e que bom que a dramaturgia pode também servir como mola propulsora para mais conscientização, proteção, salvação, e transformação."
Apesar dos anos de carreira, essa é a primeira vez que a atriz dá vida à uma psiquiátrica. "Toda personagem e todo trabalho que me oferecem um novo desafio são mais que bem-vindos. [...] Já havia feito uma médica mas não uma psiquiatra. O que posso dizer é que foi uma personagem construída para entregar empatia e sororidade. A autora Ecila Pedroso escreveu um texto maravilhoso, onde conseguimos além de torcer pela história, refletir com profundidade sobre como podemos ser vetores contra esse tipo de violência espalhada mundo afora", diz.
Barbara Reis, Daniel Rocha e Ilvio Amaral também integram o elenco da produção. A artista fala sobre a parceria com os colegas de cena e com o diretor. "Foi um encontro muito especial. Estávamos todos muito felizes por fazer parte desse início de implementação de um projeto inovador, que traz, além de novas frentes de trabalho para tantos profissionais, uma nova forma da dramaturgia existir e de ser consumida. Ser dirigida novamente pelo Adriano Melo também foi um presente pelo caminho. Somente um craque, um artista fantástico, e um talento como o dele para conseguir capitanear de forma sensível, tantas demandas que abrangem colocar uma novela vertical de pé."
Mais trabalhos
O último trabalho de Danielle em novelas foi em "Família É Tudo" (2024), interpretando a personagem Lizandra Chaves. A atriz celebra à volta, recordando o papel anterior com muito carinho e ressaltando o amor pela profissão.
"É sempre um transbordar de sentimentos profundos e importantes quando retorno pra TV. Quando retornei em 'Família é Tudo', de Daniel Ortiz, me emocionava diariamente a caminho do trabalho sem ninguém ver, como se fosse minha estreia ainda adolescente. Isso traduz o tanto que o ofício me atravessa, me alimenta, e reflete como sou de fato sensível àquilo que ele para mim representa", diz Danielle.
A atriz ainda relembra a trajetória na emissora. Winits iniciou a carreira em 1993 na minissérie "Sex Appeal" e integrou o elenco de diversos folhetins, incluindo "Malhação" (1995), "Corpo Dourado" (1998), "Uga Uga" (2000), "O Clone" (2002), "Kubanacan" (2003) e "Amor à Vida" (2013).
"Foram 30 anos felizes de TV Globo, repleto de realizações, de encontros para a vida, e em paralelo tendo o incentivo e a liberdade de continuar construindo bases sólidas no teatro onde comecei, e posteriormente no cinema. Sou grata sempre. Até pelos 'nãos'. Aprendi ali dentro que também poderia ser escritora da minha própria história. E hoje me sinto honrada em estar em um projeto inovador da casa, cercado de amigos queridos, e que continua pavimentando e potencializando nossos caminhos."
A atriz também fez parte dos filmes "Se Eu Fosse Você" (2006), "Até que a Sorte nos Separe" (2012), "Tudo Bem no Natal que Vem" (2020), "Os Farofeiros 2" (2024) e mais. "Sou grata e permito me emocionar por tantas conquistas e realizações ao longo de todos esses anos. A mulher que sou hoje para mim mesma e para meus filhos para além da artista, é fruto das sementes que plantei como pessoa e como profissional", avalia.
A artista é mãe de Noah, de 20 anos, e de Guy, de 15. O primogênito e caçula são frutos, respectivamente, dos antigos relacionamentos com os atores Cássio Reis e Jônatas Faro.
Teatro
Recentemente, a atriz esteve em cartaz com o espetáculo "Choque: procurando sinais de vida inteligente". "Foi meu primeiro monólogo e minha quarta coprodução pela Winits Produções. Ter trazido Gerald Thomas para dirigir e trazer contemporaneidade para esse texto já brilhante foi sem dúvida uma das maiores experiências profissionais até hoje que me permiti mergulhar", conta Danielle, que detalha a personagem e relembra as apresentações por diferentes capitais do Brasil.
"A personagem é uma catadora de lixo que no passado foi consultora criativa de grandes empresas. Sofreu um choque de realidade. Um burnout complexo e reflexivo de tanta conscientização a respeito do que se tornou nossa sociedade hoje em dia. Uma personagem sensacional e quase indescritível. Já foram duas temporadas incríveis no Rio e uma em São Paulo, além de festivais em Porto Alegre, Recife, e apresentações em Curitiba."
Indicações
A montagem coleciona indicações. No 13º Prêmio Bibi Ferreira, concorre nas categorias "Melhor Peça de Teatro", "Melhor Direção" (Gerald Thomas), "Melhor Atriz em Peças de Teatro" (Danielle Winits), "Melhor Cenografia" (Fernando Passetti), "Melhor Desenho de Luz" (Wagner Pinto) e "Melhor Figurino" (João Pimenta).
Já no Prêmio Cenym 2026, o monólogo disputa os prêmios de "Melhor Atriz" (Danielle Winits), "Melhor Direção de Arte" (Fernando Passetti), "Melhor Concepção Cênica Visual" (Fernando Passetti, Wagner Pinto e João Pimenta), "Melhor Fotografia para Publicidade" (Robert Schwenck), "Melhor Maquiagem, Cabelo e Penteado" (Leila Turgante).
"Já me sinto grata pelo reconhecimento do espetáculo, dos profissionais envolvidos e do meu trabalho em meio a tantas obras as quais me impactaram de forma profunda também. Não somos competidores. Não me sinto como uma e sequer acho produtivo. Levo uma vida de atleta sem mirar um pódio. Porque fato é que não tenho pretensão alguma de cruzar uma linha de chegada. Meu modus operandi é estar em constante movimento. Dando espaço pro atrevimento. Jamais dando chance para qualquer lamento. Meu objetivo é poder continuar simplesmente doando alguma espécie de encantamento", conta.
Projetos futuros
Ao falar sobre "Choque: procurando sinais de vida inteligente", a atriz revela - sem entrar em detalhes - os próximos projetos. "É um espetáculo que tenho para a vida toda e que sempre que puder estarei encenando. Essa é a vantagem de ter me tornado produtora. Temos convites para o Brasil inteiro e até para o exterior, mas estou terminando de filmar uma série e começando a rodar já já um filme e preciso de uma agenda mais tranquila para dar conta de todas as demandas."
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