Thais Carla relembrou experiências de gordofobia e cobranças sobre o peso desde a infância ao falar sobre a decisão de passar pela cirurgia bariátricaReprodução / Instagram

Thais Carla, de 34 anos, relembrou vivências gordofóbicas e cobranças sobre o peso desde a infância ao falar sobre a decisão de passar pela cirurgia bariátrica. A dançarina contou que começou a perceber ainda criança que ser gorda era visto como um problema pelas pessoas ao redor e decidiu compartilhar suas histórias em documentário anunciado nesta terça-feira (20) e previsto para lançamento a partir desta quinta-feira (22). 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por THAIS CARLA (@thaiscarla)


"Quando eu percebi que eu era gorda e ser gorda era problema, eu tinha uns 8 anos, 7 anos. Ela começou a restringir tudo o que eu comia. E aí ela começou a me levar em nutricionista, começou a me levar em um monte de médico", recordou.
A diferença de tratamento em relação à irmã ajudou a construir essa percepção de acordo com Thais. "Minha irmã não ia para lugar nenhum, só eu indo para médico. Aí eu comecei a perceber que ela estava querendo que eu não fosse gorda, porque seria um problema." 
LEIA MAIS: Marvvila segue como musa da Portela

A pressão continuou quando ela passou a trabalhar com dança. "No mundo da dança, aí já pegavam mais pesado comigo. Quando às vezes eu subia num palco, me zoava. Só depois de eu dançar que as pessoas iam lá me abraçar, me beijar, falar que eu dançava muito."

Ela também falou sobre o impacto emocional das cobranças. "E aí você é a gorda que não faz as coisas. Então a gente sente as coisas, a gente fica triste. Tive que me... como é que se diz? Acalentar sozinha. E isso é até hoje", afirmou. 
Decisão pela bariátrica

Thais ainda abordou a escolha de passar pelo procedimento e relacionou a própria trajetória à maternidade. "Eu decidi que eu vou fazer a bariátrica. Me diziam que eu nunca ia poder ser mãe. Eu não vejo a minha vida hoje em dia sem minhas filhas", disse. 

A dançarina passou pela cirurgia em abril de 2025. Em julho deste ano, ela afirmou ter eliminado 108 kg, mas contou que ainda estava assimilando a mudança corporal. "Eu ainda não vejo que emagreci isso tudo. É um reconhecimento que a gente faz aos poucos. Então, estou me reconhecendo, sabe? Estou me entendendo, conversando comigo mesma, sempre", declarou. 

Thais também já ressaltou que o procedimento não significou abandonar a defesa da aceitação corporal e do combate à gordofobia. "Pessoas gordas continuam merecendo respeito em qualquer lugar", afirmou ao fazer um balanço de um ano da cirurgia. Para ela, a principal mudança esteve ligada à qualidade de vida, com mais disposição, autonomia e energia no cotidiano e não puramente à estética. 

*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Leticia Pessôa