Escrita por Paulo Fontenelle e dirigida em parceria com Alexandre Lino, a peça "Sala dos Professores" ocupará o palco do Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio, a partir do dia 8 de outubro. O espetáculo utiliza o riso como uma ferramenta para debater o cotidiano e os desafios enfrentados pelos profissionais da educação.
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"A vontade de falar sobre um tema urgente foi o ponto de partida. A educação é a base de tudo, vive um momento de profundas transformações, e a figura do professor tem sido cada vez mais desprestigiada, tanto simbólica quanto materialmente", analisa Alexandre Lino, que também atua na produção.
O artista lembra que outros espetáculos já abordaram o assunto como "Aurora da Minha Vida", de Naum Alves de Souza, "Apareceu a Margarida", de Roberto Athayde, e "Conselho de Classe", de Jô Bilac; entretanto, ressalta que a nova montagem traz um olhar mais atual sobre o tema. "Quisemos humanizar esse olhar a partir do presente, falar do professor de agora, com leveza e, ao mesmo tempo, profundidade, sem repetir o que já foi dito, mas dialogando com essa tradição", comenta.
Protagonistas da comédia, Piera Pillar, Rosana Dias e Rudson Dias são professores fora dos palcos, e a experiência real nas salas de aula contribuiu diretamente para a construção dos personagens. "Não queremos falar daquilo sobre o que não temos nenhuma propriedade. Eles dão aula na vida real, e essa vivência não fica de fora do palco. Ela informa gestos, silêncios e reações que seriam difíceis de alcançar apenas pela pesquisa", explica Alexandre.
Mais do que a figura tradicional, a produção busca revelar a humanidade por trás do cargo. "Queremos mostrar que brincam e se divertem como qualquer grupo de amigos, que têm personalidades muito diversas entre si, que sofrem, se frustram e se realizam. Neste espetáculo, em especial, queremos deixar claro que são pessoas apaixonadas pela profissão, para quem ser professor é missão e vocação, não apenas uma escolha de carreira entre outras."
Encontrar o equilíbrio entre a comédia e questões mais delicadas da profissão é justamente um dos pontos altos da produção. "O humor também habita o trágico, e é dali que a peça retira sua força. A partir desse encontro celebramos também a nossa infinita capacidade de rir de nós mesmos: somos um povo que chora e, logo depois, encontra graça na própria desgraça. 'Sala dos Professores' evidencia isso, mas sem medo de colocar o dedo na ferida", diz o diretor.
"A comédia aqui não é fuga, é lente: ela aproxima o espectador de questões difíceis, como o desgaste, a aposentadoria e as relações desgastadas com alunos e famílias, e permite encará-las sem que o riso apague a gravidade do que está sendo dito", complementa.
Dessa forma, o espetáculo funciona como uma homenagem e uma ponte sensível entre dois mundos. "O professor certamente vai se ver retratado de forma respeitosa e fiel ao seu cotidiano, com leveza e sensibilidade. Ele vai sair do teatro dizendo: 'essa é a nossa vida'. Já quem não trabalha com educação deve sair de lá se perguntando: 'e se eu fosse professor?'... E no fim todos somos e sempre seremos alunos."
Questionado sobre a sensação que gostaria que o espectador levasse para casa depois da apresentação, Alexandre não titubeia: "Que ser professor é a profissão mais bela e mais fundamental que existe."
Serviço:
'Sala dos Professores' De 08 a 25 de outubro Quinta-feira a sábado, às 19h; Domingo, às 18h Local: Centro Cultural da Justiça Federal Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro Ingressos: a partir de R$ 40 (meia)