Rio - Juliano Cazarré voltou a defender seu encontro voltado a homens, intitulado "O Farol & A Forja Summit", que acontecerá entre os dias 24 e 26 de julho, em São Paulo, durante participação no "GloboNews Debate", nesta terça-feira (12). O ator contou o que pretende apresentar no evento, opinou sobre o papel dos homens e ganhou uma resposta afiada da psicanalista Vera Iaconelli e do consultor Ismael dos Anjos.
Cazarré relatou que tipo de homem seu curso deve formar. "Basicamente, homens que sirvam. Eu acho que esse é o papel do homem. Sempre foi. O homem que não sabe resolver um problema é em si um problema. Falo de homens que sirvam à esposa, à família, aos filhos, à sociedade... e homens que sirvam a Deus", comentou. Em seguida, ele disse que não entendeu as primeiras críticas associando o curso de homens, como um "curso que vai matar mulheres", "com discurso que mata mulheres".
"Não consigo ver associação nenhuma... A minha vontade é juntar homens para conversar sobre nosso papel, é falar de saúde masculina, reposição hormonal, exercício, tomar sol, como a gente pode estar mais presente em casa, contar histórias para nossos filhos, como a gente pode ajudar nossas mulheres a serem mais livres para poderem sair com as amigas. Fazer o que eu fiz da minha vida", listou.
"O meu curso é só um pouco de bom senso, sabe? É só também a gente começar a falar 'a gente também não é a pior coisa do mundo'. Nem todo homem é tóxico, um opressor, estuprador em potencial", complementou.
A psicanalista Vera Iaconelli destacou: "A gente vive numa sociedade muito adoecida, muito com burnout, com depressões, mas as mulheres, além disso, têm outro problema: que são os homens, que as matam, que querem governar seus corpos, que querem decidir seus futuros. Então, o que os homens fazem ou deixam de fazer nos afeta diretamente. A gente está pensando como pode lidar com essa epidemia de morte. É difícil a gente pensar num homem que protege quando são os homens que nos atacam".
Ismael dos Anjos também opinou: "Uma das questões que fica até um pouco evidente no discurso do próprio Juliano é ouvir esse lugar que é quase uma autoajuda masculina. E essa noção de autoajuda masculina, principalmente para um grupo que já detém poderes, soa muito mal para quem está morrendo, para quem sente que está agora conquistando alguns espaços".
Juliano Cazarré participa de debate sobre “maior encontro de homens do Brasil” e psicanalista responde: "É difícil a gente pensar num homem que protege quando são os homens que nos atacam". pic.twitter.com/s1VzJnsXy5
Na atração, Juliano disse que não vê seu curso como uma 'autoajuda', e sim como um 'congresso onde vão conversar, debater'. "Eu falo para homens e meninos que, há 20 anos, ouvem que são tóxicos apenas pelo fato de serem homens. Que a gente vive em uma cultura do estupro. Que todo homem é um assassino em potencial. E esses caras não são assassinos em potencial, são homens bons, mas estão sem lugar no debate", disse.
Vera reagiu: "Quando as mulheres falam: ‘Parem de nos matar’, elas não estão dizendo: ‘Parem de ser homens’. Sejam outro tipo de homem, repensem a masculinidade. Homens estão ficando muito ofendidos de ouvir mulheres. Eles pensam que tudo é uma acusação".