Mariana Ximenes integra elenco da novela ’Quem Ama Cuida’Divulgação / André Nicolau

Rio - Mariana Ximenes voltou ao horário nobre da TV Globo após "Mania de Você" (2024) e se tornou um dos destaques da novela "Quem Ama Cuida". A atriz interpreta Dora, personagem que ganha novos contornos após o fim do casamento com Ademir (Dan Stulbach) e o início do romance com André (Henrique Barreira). O interesse entre os dois começou na primeira fase da trama e, nos próximos capítulos, o criminalista flagrará a ex-mulher com o sobrinho. 
"Ela se percebeu mais vista e sentiu também que não precisava cumprir tantos papéis. É um amor mais leve, mesmo com as questões que se impõem, como o antigo relacionamento do André com a Carol. Nessa relação ela pode ser só a Dora. Se sente mais livre para ser quem ela é ou para descobrir quem ela quer se tornar. Em um momento em que a vida mudou completamente e Dora tem que recomeçar e se reconstruir, um sentimento assim é libertador!", afirma. 
O romance mantido em segredo com André pode abalar a amizade com Fábia (Flávia Alessandra). A mulher de Ulisses (Alexandre Borges) é madrasta de Carolina (Mah Duarte), ex-namorada do rapaz. "Não é uma situação nem fácil e nem confortável. Acho delicado porque, na vida real, as coisas são mais complexas. Não é só cortar alguém da vida e acabou. Há sentimentos, pessoas queridas envolvidas. Além disso, o André foi ético com a Carol, terminou antes de se envolver com a Dora", pontua. 
As duas personagens formam um quarteto com Silvana (Belize Pombal) e Carmita (Deborah Evelyn). As interações do grupo proporcionam momentos divertidos na trama. "Elas se apoiam, saem juntas, falam besteira e brigam também. Por exemplo, Dora está chateada com Carmita por acolher o criminoso do ex-marido dela. Ao mesmo tempo em que parece que não ligam para muita coisa, atravessam dramas e, do jeito delas, se apoiam. São amigas que estão aí para o que der e vier, o que é algo muito inspirador". 
Já o envolvimento com André acontece após o ponto final no casamento com Ademir. A longa relação passava por desgastes e chegou ao fim quando o ex-marido foi acusado de assédio e passou a enfrentar um processo movido por Suely (Julia Stockler).
"A descoberta das denúncias foi um baque muito grande para Dora e é inevitável que eu também entre em contato com esse sentimento de vulnerabilidade e revolta. Logo que viu a notícia, ela não quis acreditar que era verdade. Aquilo não tinha nada a ver com a pessoa que ela julgava conhecer. Mas, em um segundo momento, quando soube mais sobre o caso, Dora teve uma postura muito coerente de aceitar que as denúncias eram reais", explica. 
Convencida de que as denúncias contra o advogado são verdadeiras, a personagem expulsa o marido de casa. "É muito catártico, né? É um momento em que ela está no chão, mas sabe que não pode deixar de agir. É uma postura dolorosa, mas muito firme. Ainda mais por também servir de exemplo para o público, diante de um número gigante de feminicídios no Brasil". 
A atriz destaca o trabalho de composição de Dora. Vista sempre bem arrumada, ela desmonta no conflito que culminou na saída do pai de Pedro (Chay Suede) da residência. "É o momento em que ela realmente se permite sofrer pela situação que está passando, pelo que o marido fez com outras mulheres e o fim de uma relação na qual ela sempre escolheu estar. Acho que marca o processo de luto dela. Mesmo com a dor, ela sabia que não queria mais aquilo. Escolher é difícil, mas sustentar a decisão é mais difícil ainda", destaca. 
Mariana elogia a parceria com Dan nas cenas do tenso embate dos personagens. "Ele tem presença magnética, sabedoria, generosidade e muita disponibilidade para jogar o jogo. Mesmo que algo inusitado aconteça durante a gravação, que não estava ensaiado antes, ele acolhe e toca o barco, porque tem a confiança de que o momento pedia aquilo". 
A artista ressalta que a sintonia com o colega de elenco permitiu construir a intensidade do conflito entre Dora e Ademir. "É um ex-casal que sai de uma harmonia, de uma sintonia, para o oposto disso. Acredito que só conseguimos demonstrar esses sentimentos todos porque estamos muito sintonizados. É uma honra ter o Dan nessa jornada, faz toda diferença", exalta. 
Outro momento tenso para a personagem foi o encontro com Suely. A ex-secretária de Ademir relata os episódios de assédio e acaba com as dúvidas da dona da escola de dança sobre o caráter do marido. "Ela passa a ter certeza de que não conhecia a pessoa com quem dividia a vida, os sonhos e planos. Fica entendido que isso dilacera a Dora e se torna algo definitivo, por isso não acho que há caminho para  reconciliação. Não é só que ela foi traída pelo marido, ele fez coisas que ela não consegue perdoar, feriu outras mulheres. Assédio é crime. Ele precisa ser punido". 
Apesar da separação, Dora mantém uma boa relação e carinho pelo enteado, Pedro. O protagonista é advogado de Suely no processo contra o próprio pai. "É muito bonito como eles têm um ao outro. E ele foi um porto seguro diante das ondas violentas que fizeram naufragar um casamento que ela julgava tão sólido. Quando tudo mudou, Pedro não foi mais uma variável, ele foi constante. Isso também a ajudou a atravessar os momentos difíceis. O Chay é um parceiraço e contracenar com ele é sempre um deleite", celebra.
Dona de uma escola de dança, a personagem recebeu a ajuda de Patrick (Igor Rickli) para reerguer o espaço. Para Mariana, o trabalho mostra novas faces de Dora. "A vontade de ocupar espaços longe dessa lente de dona de casa, da mulher de alguém e se transformar em uma empreendedora. Isso trouxe à tona desejos que estavam adormecidos, como se dedicar mais à dança, ser responsável por algo pessoal e de raízes familiares. Essa virada, a meu ver, ajuda a Dora a reconstruir sua identidade. Uma mulher forte, inteligente, generosa, criativa, sensata, ativa e livre", diz.