Fausto Silva, o Faustão, participou do "Conversa com Bial", da TV Globo, na noite desta terça-feira (15), e revelou detalhes sobre a recuperação após passar por quatro transplantes. O anfitrião foi até a casa do ex-apresentador da emissora.
"Minha rotina agora é muito boa porque eu faço Tai Chi Chuan... faço musculação e fisioterapia. É mais nesse sentido, foram três anos - [saí] mês passado - que fiquei o tempo todo no hospital. Você fica com dor nas costas, sai cheio de [efeitos colaterais]. O pior que não tive nenhum problema no transplante", contou Faustão, que passou por transplante de coração e fígado, além de dois de rim.
Em seguida, Pedro Bial perguntou se "passou um filme triste na cabeça" do entrevistado, durante o momento difícil. Faustão, por sua vez, afirmou que "não". "Eu não sou arroz de festa e chefe de excursão todo dia de manhã. Mas tenho, razoavelmente, bom humor. E principalmente porque acho que o grande segredo da vida é você construir patrimônio, que é família."
O apresentador falou sobre o legado que deixou na televisão. "Durante esses 33 anos que trabalhei na TV Globo, em especial, eu deixei muitos profissionais que começaram comigo e estão hoje nos principais cargos de direção. Isso é legal... de você participar de uma profissão que ajuda a melhorar o trabalho para todo mundo. Isso não é questão de ser bonzinho, é ser inteligente. Você cria um clima melhor para o trabalho", disse.
Afastado da televisão desde que deixou o programa que estreou na Band, em 2023, Faustão comentou quais atrações assiste. "Eu vejo muito esporte em geral, jornalismo e principalmente séries e filmes."
"Paciência cura?", questionou o entrevistador, ao fazer um trocadilho com a palavra "paciente", que é como são chamadas as pessoas internadas em hospitais. "Cura. Olha, eu que não tinha paciência para nada. Fui doutrinado, ou melhor, adestrado, para ter paciência e resiliência. Foram quatro transplantes", falou.
O apresentador contou que não interferiu nas decisões dos médicos. "Não quis saber de nada, porque não é a minha praia. [...] Graças a Deus eu confiei nos médicos certos, graças a minha mulher que me fez mudar bastante ao longo da vida. Não é a minha praia, por que eu tenho que ficar dando palpite e ficar sabendo? Eu não sou formado em medicina pela internet".
"Hoje em dia todo mundo quer ter opinião. E já vi muito amigo meu importante que se meteu a médico e na hora do 'vamo ver', se não estivesse o médico lá... eu já estava no bico do corvo. Então falei: 'Melhor ficar quieto e seguir direitinho'", complementou Faustão, pontuando o estado de saúde difícil.
Bial também recebeu o cirurgião cardiovascular Fábio Gaiotto e o cardiologista Fernando Bacal, que acompanharam a trajetória médica e os transplantes de Faustão nos últimos anos. Os doutores explicaram o motivo dos procedimentos.
"O coração entrando em falência, os órgãos acabam sofrendo, porque o coração é uma bomba que manda sangue para o corpo todo. O rim entrando em insuficiência renal e o fígado já sofrendo há um bom tempo de doença. Uma cirurgia prévia que o Fausto tinha feito, a bariátrica e a obesidade. Aparece o transplante na vida do paciente quando os órgãos já estão em fase final. Foi toda uma história de tratamento até o momento que não teve mais solução", disse Bacal.
Em seguida, o médico falou sobre a importância da doação de órgãos. "Hoje tem 50 mil brasileiros esperando o transplantes. Hoje o Brasil tem a tradição de ser um país transplantar. E graças a Deus a gente tem a possibilidade de substituir órgãos a partir de uma benevolência de um momento de amor de uma família que vai se desprender naquele momento."
Bacal pontuou que o Brasil é referência na doação de órgãos, mas que o número ainda precisa melhorar para atender todos que esperam na fila do transplante. "Só o Sistema Único de Saúde atende mais de 100 milhões de pessoas. Isso não existe no mundo todo. E o transplante é um programa governamental. Então, todo cidadão brasileiro tem o direito de ser transplantado. A fila é única, gerenciada pelo Ministério da Saúde. O Brasil realmente tem a tradição do transplante. 45% das famílias, em média, aceitam ser doadoras de órgãos. Então, nós temos ainda, um número grande de famílias que não aceitam. Se fosse 70% ou 80% provavelmente faríamos os transplantes que precisamos", afirmou.
Em agosto de 2023, Faustão foi submetido ao primeiro transplante, de coração, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Seis meses depois, passou pelo de rim. Em agosto do ano passado, teve um transplante de fígado e retransplante renal.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.