Afroempreendedora comemora cinco anos de sua marca

Foi munida de paixão e coragem que empresária decidiu abrir seu ateliê em 2013, com apenas R$ 50 no bolso, dinheiro que conseguiu emprestado com a mãe

Por BRUNNA CONDINI

A empresária Carla Regina Simões, a Deusa de Malê e turbanteira
A empresária Carla Regina Simões, a Deusa de Malê e turbanteira -

Rio - A empresária Carla Regina Simões sempre foi uma apaixonada pela cultura africana. Daí saiu o nome 'Deusa de Malê', como é mais conhecida. "Sou graduada em pedagogia e história. Minha monografia na última foi sobre a Revolta dos Malês, um movimento que aconteceu em Salvador, na Bahia, em 1835, porque os negros seguidores do islamismo encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente", ensina.

Foi munida de paixão e coragem que ela decidiu abrir seu ateliê em 2013, com apenas R$ 50 no bolso, dinheiro que conseguiu emprestado com a mãe.

"Fui à loja de tecido e comprei o que podia. Na época, eu não tinha máquina de costura, então fiz tudo à mão mesmo. Consegui seis pessoas que me ajudaram. Produzi as fotos com meu celular, fiz as amarrações de turbantes e, naquele ano, fizemos a primeira ocupação afro dentro do Parque Madureira", lembra.

Um ano depois, nasceu a loja afro-brasileira Ateliê Divindade Nagô, um espaço localizado inicialmente em Madureira e atualmente em Irajá. A ideia do empreendimento é oferecer não só produtos, mas fortalecimento e autoestima para as mulheres negras.

"Ali, a gente oferece acolhimento, escuta histórias, depoimentos, e troca experiências. Comecei a fazer oficinas de turbantes para incentivar o empoderamento preto e a representatividade", salienta a empresária.

Hoje, quando a marca comemora cinco anos de existência, Deusa, a turbanteira oficial de todos os bailes charme do Rio, como é conhecida, analisa as conquistas da trajetória.

"O mais emocionante é saber que com o meu turbante, a minha roda de conversa, consigo de alguma maneira mudar a vida de uma pessoa. Fazer a mulher negra se sentir mais feliz, mais realizada e mais segura, em uma sociedade ainda tão racista, tem um peso e um significado enorme para mim", diz.

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