Isadora Ribeiro afirma nunca ter se incomodado com o rótulo de símbolo sexual

Aos 53 anos, Isadora Ribeiro celebra três décadas de carreira no palco, diz não se arrepender de ter se afastado da TV para cuidar das filhas e garante manter a beleza sem muito esforço

Por BRUNNA CONDINI | brunna.condini@odia.com.br

Isadora Ribeiro
Isadora Ribeiro -

Rio - Isadora Ribeiro abriu seu apartamento na Barra da Tijuca para a equipe do caderno, como quem abre a porta de casa para velhos amigos. "Que bom vocês aqui! Fiquem à vontade, se acomodem onde acharem melhor".

Aos 53 anos, ela comemora 30 de carreira no palco, em cartaz com o espetáculo 'Diário de Bordo', com apresentações no Teatro Princesa Isabel nos dias 6 e 7 de dezembro, às 18h30; e dia 8, às 20h30, em Copacabana. E celebra o bom momento.

"A peça é especial. Minha filha mais velha (Maria Sampaio, de seu casamento com o empresário Walter Sampaio) escreveu o texto, que inclusive, ganhou o Prêmio Jovem Escritora", conta, com orgulho. "Ela também faz medicina, mas a escritora nela é nata. Lançou uma antologia de contos e dois romances. Maria ia fazer vestibular para letras, mas escolheu outro caminho. Eu ainda perguntei: 'Medicina, filha?' Ela disse que eu era a única mãe do mundo que prefere que a filha seja escritora", brinca.

Em cena, Isadora se desdobra em três personagens (um homem, uma mulher e uma idosa), em viagens por lugares diferentes. "O público pensa e se emociona, levados pelas experiências, dramas dos personagens", observa. "Vamos continuar com a peça, já fizemos uma turnê no Sul antes do Rio, e já estivemos em cartaz em outro teatro aqui. É um espetáculo pronto, mas não tem patrocínio. Estamos fazendo com a cara e a coragem".

SÍMBOLO SEXUAL

Musa do anos 1990, Isadora não se incomoda com o 'título' e também não tem arrependimentos de ter sido conhecida assim. "Nunca me incomodou dizerem que era símbolo sexual. Se tinham que eleger alguém, que fosse eu", diverte-se. "E ao mesmo tempo, sempre confiei na qualidade do meu trabalho. Sempre me preparei. Fiz Tablado, Faculdade da Cidade, aulas de voz com Glorinha Beuttenmüller, de canto. E estudo, sempre li muito. Então, em relação ao preconceito que algumas pessoas tinham, eu pensava: 'Ok, mas também sou uma atriz'. Quando você é bonita, tem que provar mil vezes mais, acaba sendo mais difícil. Mas fiz personagens que fizeram sucesso com o público, só posso agradecer", diz.

Simbolizar um ideal de beleza feminino foi apenas um começo para a atriz. E ela afirma que sempre soube aproveitar as oportunidades. Foi assim quando apareceu para o Brasil na abertura do 'Fantástico', em 1983. "Quando fiz teste para o programa, trabalhava como modelo numa agência de São Paulo. Eles estavam procurando uma mulher que tivesse uma mistura de raças: de negro, índio, branco. Fui escolhida e vim para o Rio", lembra. "Comecei também a trabalhar como atriz, primeiro no 'Viva o Gordo' e depois no programa do Chico Anysio. Aí, fui para uma agência em Paris. Não era para ir, estava no elenco do Chico, mas fui. Me deram uma geladeira. Depois, fiz uma novela no SBT, 'Brasileiras e Brasileiros'. E aí engatou, fui fazendo uma novela atrás da outra", lembra ela, que também 'mitou' na inesquecível abertura da novela 'Tieta' (1989).

PRIORIDADES

Longe da TV desde 2011, a curitibana revela não ter arrependimentos com as escolhas que fez nos últimos anos. "Quando estava no ápice da fama, tomei uma decisão que consistia em dar atenção à minha filha Maria, que hoje está com 21 anos e na época era pequena. E também tenho a Valentine, de 12 anos (de seu casamento com o falecido marchand Marcus Aurélio)", recorda. "Achava que elas precisavam da minha atenção, do meu olhar de mãe e de educadora. Acho que tomei a decisão certa. Minhas filhas são amorosas, seguras, educadas, ensino elas a praticar o exercício da bondade, o respeito ao próximo. Não deixei de trabalhar, mas priorizava minhas filhas. Foquei em trabalhos que eu podia ajustar horário e comecei a andar com as próprias pernas. Nisso, também perdi campo, aquela velocidade de trabalhos que tinha, mas ganhei a presença delas comigo. Sempre estava fazendo teatro, e as minhas palestras corporativas, dando dicas de qualidade de vida. Eventualmente, cinema. Até shows fiz. Gravei um disco, mas sou uma atriz que canta, não uma cantora. Sou versátil", diz.

Na trajetória, que inclui 12 novelas, cinco filmes, sete seriados e três peças de teatro, Isadora destaca o trabalho na novela 'Explode Coração' (1995). "Tenho orgulho de tudo que fiz, trabalhei com grandes autores, Gilberto Braga, Silvio de Abreu", diz. "Mas talvez a Odaísa mereça destaque por conta do tema que trouxe. Foi um trabalho social e não só de atriz. Não só no Brasil como em Portugal, foram encontradas muitas crianças", conta.

BELEZA AOS 50

Ela ainda é reconhecida pela beleza exótica. E garante que não faz muito para se manter assim. "É sério! Corro um pouco na esteira, principalmente para ter fôlego no teatro. E bebo muita água, durmo cedo", entrega. "Nesses anos todos, também busquei me autoconhecer. Já que vou ser quem sou, é bom tentar ser um ser humano melhor. E tenho minha fé, isso dá um equilíbrio, sabedoria. Pode ser isso. Não me preocupo com o envelhecimento, me sinto bem".

Solteira, ela não descarta um novo amor. "Não estou amando, até gostaria. Esse dias, até achei engraçado: minha filha me colocou num aplicativo desses de relacionamentos, querendo que eu arrumasse namorado. Aí eu pedi que ela me tirasse, não curti", diz, aos risos. "Não estou em busca de alguém. Claro que se aparecer, vai ser fantástico".

Galeria de Fotos

Isadora Ribeiro na peça Diário de Bordo Divulgação
Isadora Ribeiro FOTOS Marcio Mercante / Agencia O Dia
Isadora Ribeiro Marcio Mercante / Agencia O Dia
Isadora Ribeiro em cenas de 'Diário de Bordo' Divulgação
Isadora Ribeiro Marcio Mercante / Agencia O Dia

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