Presidente do Chile usará militares para proteger infraestrutura ante protestos

O líder de centro-direita voltou a declarar apoio a policiais e militares

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Sebastian Piñera, presidente do Chile
Sebastian Piñera, presidente do Chile -
São Paulo - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou neste domingo que aumentará o efetivo de policiais nas ruas e dará novas atribuições às Forças Armadas para proteger a infraestrutura pública, entre outras medidas para conter a violência após mais de um mês de protestos sociais no país. O líder de centro-direita voltou a declarar apoio a policiais e militares, após uma semana em que ambos foram fortemente questionados pela sociedade e por organismos de direitos humanos pela forma como têm reprimido os protestos.

Em um discurso não previsto, Piñera lamentou o número de civis mortos e feridos, sem citar números, mas ressaltou que "até esta data temos 2.171 carabineiros [polícia chilena] feridos, alguns com gravidade, e 154 quartéis policiais atacados". Afirmou que enviará nesta semana ao Congresso um projeto de lei para permitir às Forças Armadas colaborar com a proteção de infraestrutura crucial, equiparando, segundo ele, a legislação chilena à de outras nações. Disse ainda que a polícia chilena receberá a partir desta semana assessoria profissional da polícia de Inglaterra, França e Espanha "para melhorar sua capacidade operacional, de controle da ordem pública e de resguardo da segurança cidadã".

Os protestos no país começaram em 18 de outubro contra um aumento nas tarifas do metrô e desembocaram em mais de cinco semanas de manifestantes sociais de todo tipo, principalmente reclamando reforma previdenciária, mudanças nos sistemas de saúde e educação, entre muitos outros.

Piñera anunciou que nos próximos dois meses haverá mais 4.354 agentes nas ruas. Ele pediu ao Congresso que sejam acelerados acordos e a tramitação das leis para modernizar a polícia e leis para enfrentar saques, por exemplo.

A Anistia Internacional publicou um relatório com denúncias de graves violações aos direitos humanos, dizendo que a política de repressão tinha como missão castigar os cidadãos que saíam para exercer pacificamente seu direito a se manifestar. O relatório foi alvo de críticas do governo, que o qualificou como "falso", nas palavras do ministro da Defesa, Alberto Espina

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