Beleza e segurança precisam andar juntas na hora de mexer no corpoReprodução/Internet
Bumbum em alta: o que está por trás da harmonização dos glúteos
Cirurgiã plástica explica possibilidades, limites e cuidados com o procedimento.
Olá, meninas!
Vamos combinar? Basta uma famosa aparecer com o bumbum mais empinado ou com o contorno diferente para a gente já ficar curiosa: “O que ela fez?”.
A harmonização dos glúteos entrou de vez nessa conversa e vem despertando o interesse de muitas mulheres que querem melhorar o formato, a projeção ou até aquela flacidez que incomoda.
Mas, antes de pensar só no resultado bonito que aparece nas redes, é preciso entender o que realmente pode ser feito, quais são os limites e, principalmente, o que é seguro para cada corpo. Para esclarecer essas dúvidas e contar tudo para a gente, conversamos com a cirurgiã plástica Alessandra Vidaurre.
Afinal, o que é a chamada harmonização do bumbum? Quais procedimentos podem ser feitos para melhorar o formato, o contorno e a proporção da região?
A harmonização glútea é um conjunto de procedimentos não cirúrgicos que utilizamos para melhorar o formato, o contorno, a projeção e também a qualidade da pele do bumbum. É um conceito que envolve avaliar o glúteo em conjunto com toda a região ao redor cintura, flancos, quadril e culotes para
É possível deixar o bumbum mais empinado e com um formato mais bonito sem necessariamente colocar uma prótese? Quais são as alternativas?
Sim. Hoje conseguimos melhorar bastante o formato do glúteo sem cirurgia, principalmente quando a paciente não necessita de um aumento muito expressivo de volume.
O ácido hialurônico corporal pode ser utilizado estrategicamente para melhorar projeção, preencher depressões e criar um contorno mais arredondado. Os bioestimuladores, “skin boosters” e tecnologias como o Ultraformer entram principalmente quando precisamos melhorar flacidez, firmeza e qualidade da pele. E podemos ainda tratar pequenos depósitos de gordura que prejudicam o contorno (por exemplo diminuindo os culotes) com substâncias que derretem a gordura.
Muita gente busca um bumbum maior, mas com aparência natural. Como o cirurgião consegue equilibrar volume, formato e proporção com o restante do corpo?
Naturalidade tem muito mais relação com proporção do que simplesmente com quantidade de volume. Antes de preencher, precisamos analisar a cintura, a largura do quadril, o formato original do glúteo, a presença de depressões laterais e a relação daquela região com o restante da silhueta.
Por isso, eu não penso em quantos mililitros vou colocar, mas em onde aquele volume realmente precisa estar. Às vezes, preencher uma depressão lateral ou acrescentar discretamente volume em uma região específica produz uma mudança estética muito maior do que simplesmente aumentar todo o bumbum.
O resultado mais bonito é aquele em que você percebe que o contorno corporal melhorou, mas não olha para a paciente e pensa imediatamente: “ela fez preenchimento”.
Quais são os principais riscos de procedimentos para aumentar ou modelar o bumbum? Existe algum procedimento que exige mais cuidado ou que não é indicado para determinadas pessoas?
Existe um alerta que hoje precisa ser feito de forma muito clara quando falamos em harmonização glútea: o PMMA. Em junho de 2026 entrou em vigor uma resolução do Conselho Federal de Medicina proibindo o uso do PMMA por médicos como substância injetável para preenchimento ou volumização, inclusive com finalidade estética.
E essa proibição não surgiu por acaso. Estamos falando de uma substância permanente, que o organismo não absorve e que pode permanecer no corpo pelo resto da vida. Suas complicações podem surgir inclusive muitos anos depois da aplicação e incluem processos inflamatórios crônicos, granulomas, infecções, necrose, deformidades e até complicações sistêmicas graves. E existe um problema adicional: quando algo dá errado, retirar completamente o PMMA dos tecidos pode ser extremamente difícil ou até impossível.
Então, quando uma paciente me pergunta sobre PMMA para aumentar o bumbum por uma questão puramente estética, hoje a resposta é muito objetiva: além de existirem alternativas absorvíveis e com um perfil de segurança mais favorável, o seu uso por médicos para essa finalidade está proibido pelo Conselho Federal de Medicina. Procedimento de consultório não é sinônimo de procedimento simples ou sem risco.
Como a mulher pode saber se realmente precisa de uma cirurgia ou se um procedimento menos invasivo já seria suficiente para alcançar o resultado que deseja?
O primeiro passo é entender qual é a expectativa dessa paciente. A harmonização glútea não cirúrgica funciona muito bem quando buscamos corrigir depressões, melhorar pequenas assimetrias, acrescentar um volume moderado, melhorar o contorno ou tratar flacidez e qualidade da pele, de maneira gradual, progressiva e com resultados mais naturais.
Agora, se a paciente deseja um aumento muito grande de volume, apresenta excesso importante de pele ou precisa de uma remodelação corporal mais extensa, os procedimentos de consultório podem não ser suficientes.
Eu acho muito importante deixar esse limite claro. Não devemos tentar compensar uma indicação cirúrgica colocando quantidades excessivas de produto apenas porque a paciente não quer operar.
Além disso, o custo de um preenchimento com grande volume de ácido hialurônico pode chegar ao valor de uma abordagem cirúrgica e a paciente precisará refazer (pelo menos parcialmente) a cada ano. Tudo isso deve ser levado em consideração na hora de decidir o melhor tratamento para cada caso.

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