O que a fala de Paula Burlamaqui e a resposta de Marina Lima revelam sobre envelhecer sendo mulherReprodução/Internet

Olá, meninas?
Meninas, vocês acompanharam essa história que deu o que falar nos últimos dias? A atriz Paula Burlamaqui, de 59 anos, falou sobre sua relação com o envelhecimento durante uma participação no podcast Vozes do Retiro e disse que, para ela, envelhecer é “o castigo do ser humano” e uma “degradação”. Ela também contou sobre as mudanças físicas que sente com o passar dos anos e os cuidados que mantém, como exercícios, terapia, acompanhamento médico e reposição hormonal. 

A declaração repercutiu e acabou chegando até Marina Lima, de 70 anos, que discordou publicamente. A cantora afirmou que a vida é muito mais do que beleza e chegou a dizer que sentia pena de Paula pela maneira como ela encara o envelhecimento. 

Mas eu confesso uma coisa para vocês: eu consigo entender os dois lados dessa conversa.

Envelhecer não é fácil. Principalmente para uma mulher que passou a vida recebendo olhares, elogios e sendo lembrada o tempo todo de que precisa estar bonita. Você se olha no espelho e começa a perceber uma ruguinha aqui, uma mudança no corpo ali, o cabelo diferente, o cansaço chegando… E, sem perceber, começa a comparar a mulher que você é hoje com aquela que foi anos atrás.

E existe uma cobrança social absurda em cima de nós. Parece que mulher tem obrigação de não envelhecer. O homem pode ficar grisalho, ganhar algumas marcas no rosto e ser chamado de charmoso. Já a mulher madura muitas vezes é tratada como se tivesse perdido o seu valor.

É como se, depois de determinada idade, ela virasse uma mercadoria sem valor na prateleira. E isso é muito cruel.

Agora, também precisamos conversar sobre o outro lado. Envelhecer é parte da vida. Podemos cuidar da nossa aparência, fazer tratamentos, mudar o cabelo, usar maquiagem, cuidar da pele, malhar e fazer tudo aquilo que nos deixa felizes. O problema é quando acreditamos que só teremos valor se conseguirmos esconder a nossa idade.

Porque, no fim das contas, meninas, existem apenas dois caminhos: ou a gente envelhece ou a gente morre. Essa é a verdade.

Então, por que não tentar fazer as pazes com o tempo?

Não estou dizendo que precisamos amar cada ruga ou fingir que nenhuma mudança incomoda. Podemos sentir saudade de como éramos e até ter nossos momentos de insegurança. Isso é humano.

Mas também podemos olhar para a mulher que chegou até aqui e reconhecer tudo o que ela viveu, aprendeu e conquistou.

A beleza muda. O corpo muda. O rosto muda. Mas o nosso valor não deveria mudar junto.

Talvez o grande desafio não seja escolher entre envelhecer naturalmente ou lutar contra o tempo. Talvez seja entender que podemos cuidar de nós mesmas sem transformar a juventude em uma obrigação.

Afinal, envelhecer, minhas amigas, não é uma derrota. É o preço — e também o privilégio — de continuar vivendo.