Nem toda gordura resistente ao emagrecimento é lipedema, mas alguns sinais podem indicar a necessidade de investigaçãoReprodução/Instagram

Olá, meninas!
Quando a gente acompanha grandes transformações no corpo de famosas como Jojo Todynho e Thais Carla, é comum surgirem muitas dúvidas sobre emagrecimento. Afinal, depois de perder bastante peso, algumas mulheres percebem que determinadas regiões continuam com mais volume do que gostariam. E aí vem a pergunta: será que é apenas gordura localizada ou pode ser lipedema?
A resposta não está simplesmente na balança. O lipedema e a obesidade são condições diferentes e podem, inclusive, aparecer juntas. O próprio Consenso Brasileiro de Lipedema destaca que o IMC, aquele cálculo usado para relacionar peso e altura, tem limitações quando o assunto é diferenciar essas duas condições.
Segundo o Dr. Guthyerres Carvalho, especialista que acompanha pacientes com lipedema, observar as mudanças do corpo durante o emagrecimento pode ajudar a perceber sinais que merecem uma investigação mais cuidadosa.
“Quando uma pessoa emagrece muitos quilos, esperamos uma redução de gordura em diferentes regiões do corpo. No lipedema, porém, pode existir uma desproporção persistente, principalmente nos membros inferiores. Isso não significa que toda gordura resistente seja lipedema, mas é um sinal que, associado a outros sintomas, merece avaliação”, explica.
Gordura localizada ou lipedema?
Essa é justamente uma das grandes dúvidas. Afinal, cada corpo tem uma forma diferente de distribuir gordura e ter pernas ou quadris mais volumosos não significa, por si só, que exista uma doença.
No lipedema, pode haver um aumento desproporcional do volume dos membros, que tende a apresentar maior resistência à perda de peso convencional. Por isso, além do IMC, outros parâmetros podem ser considerados na avaliação corporal.
“Não podemos olhar para uma perna mais volumosa e diagnosticar lipedema. O formato corporal sozinho não fecha diagnóstico. Precisamos saber se existe desproporção, dor, sensibilidade, facilidade para desenvolver hematomas e como esse tecido se comportou durante o processo de emagrecimento”, afirma Guthyerres.
Depois de uma grande perda de peso, essa diferença entre as regiões do corpo pode ficar ainda mais evidente. Mas atenção: emagrecer não funciona como um “teste” para descobrir se a mulher tem ou não lipedema.
“Às vezes, depois de um emagrecimento importante, a desproporção corporal fica mais evidente porque outras regiões diminuíram bastante. Isso pode levar a paciente a procurar ajuda e descobrir uma condição que já existia anteriormente”, acrescenta o médico.
E como saber se é lipedema?
Não existe um único exame que consiga confirmar todos os casos. O diagnóstico é principalmente clínico e leva em consideração o histórico da paciente, o exame físico, a distribuição da gordura, os sintomas e a possibilidade de outras condições que possam explicar o aumento de volume dos membros.
“O diagnóstico não é feito simplesmente por uma fotografia, pelo peso ou por um exame laboratorial. É uma avaliação clínica. Nós reunimos a história da paciente, a distribuição da gordura, os sintomas, o exame físico e avaliamos outras condições que também podem provocar aumento de volume nos membros”, explica o Dr. Guthyerres Carvalho.
Dor, sensibilidade aumentada e desconforto podem fazer parte do quadro, mas cada mulher pode apresentar sintomas diferentes e em intensidades variadas.
Emagrecer não significa eliminar o lipedema
Outro ponto importante é que obesidade e lipedema podem existir ao mesmo tempo. Nesses casos, mesmo depois de uma grande perda de peso ou de uma cirurgia bariátrica, algumas características relacionadas ao lipedema podem permanecer.
“Uma paciente pode ter obesidade e lipedema ao mesmo tempo. Tratar a obesidade continua sendo importante para a saúde e pode inclusive contribuir para o controle do quadro, mas perder peso não significa necessariamente que todas as alterações provocadas pelo lipedema desaparecerão”, esclarece o médico.
E fica o principal recado: nada de tentar se diagnosticar olhando apenas para o espelho ou para a balança. Nem toda gordura que permanece depois do emagrecimento é lipedema, assim como uma mulher que ainda está acima do peso não deve ter sintomas importantes simplesmente ignorados.
“Nem toda gordura que permanece depois do emagrecimento é lipedema. Da mesma forma, não devemos dizer para uma paciente que sente dor, apresenta desproporção e outros sinais que aquilo é simplesmente gordura porque ela ainda está acima do peso. O diagnóstico precisa olhar para o conjunto”, finaliza.