Caxiense fatura cinturão de MMA e vende trufas no trem pra custear carreira
Julia Polastri é moradora do Gramacho e já acumula importantes vitórias na carreira
Caxiense fatura cinturão do MMA e vende trufas no tremMontagem
Por O Dia
Duque de Caxias - Aos 21 anos, Julia Polastri vem colecionando vitórias. A jovem moradora do bairro do Gramacho acabou de ganhar o título da divisão peso-palha (52 kg) feminino no Shooto Brasil, maior evento de MMA da América Latina. Ela nocauteou Jéssica Delboni e faturou o cinturão da categoria. Mas, por trás de tanta luta, há também muita força de vontade: Julia precisa vender trufas no trem para poder custear a participação no esporte.
Julia vende trufas todos os sábados no ramal de Saracuruna - Arquivo pessoal
Todo sábado, a partir das 7h, ela cruza o ramal Saracuruna vendendo os doces, preparados pelo próprio treinador, Douglas Bastos. Entre os sabores de brigadeiro, maracujá, e outros, a jovem sonha alto: quer o cinturão do UFC.
“Eu só vivo para o treino. Meu trabalho é treinar, de 6h até 22h. Então, aos sábados, eu faço um dinheiro vendendo as trufas e divulgando minhas redes sociais (@juliapolastrimma) pra conseguir mais visibilidade na minha carreira”, revela.
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Julia venceu principal competição da categoria no último sábado, 19 - Marcell Fagundes
Julia começou a competir aos 17 anos, quando conheceu a atual academia, CWB Fighter, também no Gramacho. Desde então, passou a gostar tanto de Muay Thai que viu na modalidade uma forma de profissão. Na carreira, já foram ao todo nove lutas, sendo sete vitórias e duas derrotas.
A conquista do cinturão foi, sem dúvidas, até então, o maior desafio alcançado.
“Fui campeã com um nocaute no segundo round. Passou a sensação de dever cumprido. Agora, as portas que eu mais quero vão finalmente se abrir e as oportunidades vão vir. Eu to muito feliz!”, afirma Julia.
Sonho da caxiense agora é faturar cinturão no UFC - Marcell Fagundes
E, apesar das dificuldades, principalmente financeira, a caxiense não pensa em desistir da profissão que escolheu abraçar.
“Eu não desisti e nem penso nisso. Mesmo com todas as dificuldades que eu, como atleta, passo no nosso país, eu não aconselho ninguém a desistir dos sonhos. Uma coisa que aprendi nessa caminhada é que a gente está constantemente sendo testado, e, quando passamos por esses testes, as recompensas são maravilhosas. Pode ser o mais difícil que for, mas, se você quer e acredita naquilo, continue, porque vale a pena”, finaliza.