Rio, 15/09/2020  - Menina de 3 anos vitima de bala perdida, Fachada do Hospital de Saracuruna. Municipio do Rio.  Foto: Ricardo Cassiano/Agencia O Dia - Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
Rio, 15/09/2020 - Menina de 3 anos vitima de bala perdida, Fachada do Hospital de Saracuruna. Municipio do Rio. Foto: Ricardo Cassiano/Agencia O DiaRicardo Cassiano/Agencia O Dia
Por O Dia
Duque de Caxias - O mês de setembro é caracterizado pela campanha do Setembro Verde, mês de incentivo à doação de órgãos. A data de 27 de setembro é lembrada como o Dia Nacional da Doação de Órgãos. E o Hospital de Saracuruna (Adão Pereira Nunes) é referência nacional neste tema. Atualmente, a unidade de saúde está em primeiro lugar no estado do Rio de Janeiro e em segundo lugar no ranking nacional em doação de órgãos.
Hospital de Saracuruna é referência em captação de órgãos - Divulgação
O coordenador da CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) do Saracuruna, enfermeiro Gilberto Malvar, destaca que os resultados alcançados são fruto do trabalho de uma equipe capacitada e especializada.

“Eu costumo dizer que o diferencial da equipe CIHDOTT do Hospital de Saracuruna é o acolhimento que fazemos com essas famílias. Quando um paciente grave chega aqui na unidade, buscamos logo a família para explicar o que é morte encefálica e quais as etapas para se chegar a esse diagnóstico. Outro ponto importante é a empatia, de se colocar no lugar da família que está perdendo seu ente querido. É criar um vínculo e trabalhar o lado emocional destes familiares, já que cabe a eles a decisão e autorização para a doação. Quando essa equipe é formada por pessoas capacitadas, com acolhimento precoce, esse resultado se torna muito mais eficaz”, destaca o coordenador da CIHDOTT do Hospital de Saracuruna.

Regulamentada pela Portaria nº 905/GM/MS, em 16 de agosto de 2000, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) é composta de uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, e é obrigatória em hospitais públicos, privados e filantrópicos com mais de 80 leitos. A Comissão é um braço da Central Estadual de Transplante do estado, que tem a sua base na unidade e é responsável por todos os casos de morte encefálica que podem possibilitar a doação de órgãos. Para que a doação aconteça, o paciente tem que estar em morte encefálica (quando o cérebro morre e os órgãos continuam funcionando). A partir de um único doador até nove vidas podem ser salvas e ainda melhorar a qualidade de vida de até 50 pessoas, com a doação de tecidos.
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Hospital de Saracuruna é referência em captação de órgãos - Divulgação
É importante também desmentir alguns mitos que atrapalham o trabalho das equipes nas unidades. Uma delas está relacionada ao medo dos familiares de que a retirada dos órgãos poderá desconfigurar o corpo do doador. O coordenador Gilberto Malvar esclarece que a retirada é um procedimento cirúrgico normal e que após a retirada dos órgãos com qualidade de transplante, o local é costurado com pontos, como se faz nesses procedimentos. No caso da córnea, que é uma retirada de área mais exposta do corpo, uma prótese de acrílico é colocada, preenchendo a cavidade. A lei determina que o corpo deve ser entregue à família íntegro, para que possa ter um sepultamento com dignidade.

Campanha nacional incentiva a doação de órgãos

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou uma queda de 37% no número de transplantes realizados entre janeiro e julho de 2020 em comparação ao mesmo período de 2019. O Ministério da Saúde associou a queda à pandemia de Covid-19. De janeiro a julho de 2019, foram realizados 15.827 transplantes no país; neste ano, no mesmo período, foram 9.952 procedimentos. Até 31 de julho, havia 46.181 pacientes aguardando um órgão no país. A fila é centralizada por meio do SUS (Sistema Único de Saúde).
Para ser um doador, é preciso conversar com a família sobre esse desejo e deixar claro que os familiares devem autorizar a doação de órgãos. Pela legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, mas, segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos, quando a família tem conhecimento do desejo de doar do parente falecido, esse desejo é respeitado. A doação de órgãos é gratuita e não tem compensação financeira.