Pesquisa do Sebrae mostra 42,5 milhões de brasileiros pretendem abrir um negócio em até três anosInstagram/Reprodução
Fórum discute os desafios do empreendorismo
Especialistas debateram questões como crédito, acesso à tecnologia e inclusão financeira
O sonho do emprego formal em regime CLT ficou no passado. Hoje o brasileiro deseja empreender. De acordo com uma pesquisa do Sebrae, 42,5 milhões de brasileiros pretendem ter o próprio negócio em um prazo de até três anos. A “carteira assinada” deixou de ser sinônimo de segurança e estabilidade. Além disso, o crescimento econômico vem impulsionando a abertura de MEIs, micro e pequenas empresas.
Este novo cenário foi debatido na última quarta-feira (16) durante o 2º Fórum Empreender, promovido em São Paulo pela Sicredi. Especialistas discutiram questões como crédito, mudanças no perfil do empreendedor, tecnologia e inclusão financeira.
Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o empreendedorismo desempenha o papel de alavanca do crescimento econômico e do aumento da renda no país. Ele destacou que 48% dos micro e pequenos empresários pertencem à classe C.
“O antigo autônomo é o empreendedor de hoje. Isso representa uma mudança de patamar. Ele passou à condição de empresário e gerador de empregos. No entanto, há obstáculos que precisam ser superados para que o pequeno negócio se consolide em um mercado cada vez mais exigente. O acesso ao crédito, por exemplo, é um complicador. O sistema financeiro tradicional ainda tem dificuldade para oferecer linhas de financiamento, produtos e serviços criados especificamente para esse segmento”, alerta Meirelles.
Ele destaca que, dos 25,4 milhões de CNPJs ativos, 24 milhões pertencem a MEIs, micro e pequenas empresas. “Esses negócios geram 80% dos empregos formais no país, movimentam a economia e não são atendidos de forma adequada. As grandes empresas acessam linhas de crédito com juros menores e prazo maior de pagamento. Já micro e o pequeno empreendedor sofre com taxas elevadas para capital de giro”, avalia.
Tecnologia
O economista e diplomata Marcos Troyjo apontou a necessidade de o empreendedor encarar a tecnologia como elemento fundamental para o sucesso do negócio, independentemente do segmento der atuação.
“Somos todos empresas de tecnologia. Incorporar a inteligência artificial ao negócio deixou de ser opção; é necessidade. Para isso, o empreendedor precisa conhecer e dominar as ferramentas de IA. Ele vai ganhar produtividade, aumentar margem de lucro e identificar de forma mais ágil as necessidades do consumidor do seu produto ou serviço”, explica.
Para o superintendente de Operações e Canais Digitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcelo Porteiro, cabe ao Estado desenvolver politicas públicas para garantir ao micro e pequeno empreendedor o acesso às ferramentas de inovação tecnológica.
“O tripé tecnologia, ciência e políticas públicas faz a diferença. Ele permite que os negócios de pequeno porte ganhem competitividade. O acesso à inovação não pode ser algo restrito apenas às grandes empresas. O novo ambiente de negócios requer o uso de tecnologia. O foco deve ser permitir que todos possam utilizá-la”, afirma.
Presença feminina
De acordo com o Sebrae, 42% das novas pequenas e microempresas abertas em 2025 tinham mulheres como líderes. Hoje, o país tem 10 milhões de empreendedoras — 34% do total. Durante o Fórum, discutiu-se como as micro e pequenas empresárias enfrentam as dificuldades para conciliar a administração do negócio, as tarefas domésticas e os cuidados com a família.
A CEO do Instituto Feira Preta, Adriana Barbosa, explica que “é relativamente fácil encontrar informações sobre como empreender, mas o problema está nas mulheres capacitadas que não conseguem acessar crédito”. “Esse desafio é ainda maior para mulheres pretas”, frisa Adriana.
Já a coordenadora nacional do Sebrae Delas, Renata Malheiros, avalia que, além da dificuldade de acesso ao crédito, as mulheres sofrem com a sobrecarga de trabalho.
“O Sebrae tem um estudo que mostra que as mulheres empreendedoras dedicam 17% menos horas ao negócio na comparação com homens empreendedores. Elas precisam cuidar do negócio, cuidar dos filhos, cuidar da casa. A sobrecarga faz com que ela tenha que sacrificar horas que deveriam ser direcionadas para a sua atividade empresarial. Faltam políticas públicas, universalização do crédito, escolas integrais e rede de apoio”, adverte.

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