O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao Governo do Rio, teve 274.411 votos que foram excluídos da apuraçãoCarlos Elias Junior/ Arquivo

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu do Recurso Ordinário contra o indeferimento de seu registro de candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), nesta segunda-feira (5). Com a retirada do recurso, os 274.411 votos recebidos por ele são excluídos da apuração. A redução do total de votos válidos faz com que Douglas Ruas (PL) ultrapasse a marca de 50%. Dessa forma, Ruas deverá ser proclamado governador eleito do Rio de Janeiro já no primeiro turno.
No pedido, direcionado ao ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Garotinho diz ter tomado a decisão de forma livre. "A manifestação apresentada é voluntária, consciente e desprovida de qualquer vício de vontade, razão pela qual deve ser regularmente recebida e homologada", diz um trecho. 

Entenda a reviravolta

Embora Ruas e Eduardo Paes (PSD) tenham sido oficialmente encaminhados para o segundo turno, uma decisão da Justiça Eleitoral sobre os votos recebidos por Garotinho pode alterar o resultado da disputa. Caso a candidatura do ex-governador seja definitivamente anulada, Ruas ultrapassará a marca de 50% dos eleitores e poderá ser declarado governador ainda no primeiro turno.

Com 100% das urnas apuradas, Ruas recebeu 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27%. Paes ficou em segundo lugar, com 3.706.984, ou 42,76%. Garotinho terminou a disputa em terceiro, com 274.411, correspondentes a 3,17%. Os votos atribuídos ao ex-governador, porém, foram registrados pela Justiça Eleitoral como "anulados sub judice".

Garotinho havia solicitado novo recurso no dia da votação 

No domingo, após votar no Catete, Garotinho afirmou que sua defesa havia apresentado um novo recurso para tentar garantir a validade dos votos recebidos por ele. Nesta segunda-feira, porém, após a conclusão da apuração, o ex-governador voltou atrás.
Em agosto, uma liminar do TSE havia permitido que Garotinho continuasse a campanha, com acesso a recursos públicos, propaganda eleitoral e debates. A decisão, no entanto, foi posteriormente derrubada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, que determinou que os votos eventualmente recebidos pelo candidato fossem registrados como anulados sub judice enquanto permanecesse o indeferimento de seu registro.

'Deixa o povo arcar com as consequências', diz Garotinho

Aos seguidores que acompanhavam a transmissão e aos jornalistas presentes, Garotinho afirmou que a população fluminense teria que arcar com as consequências de ter votado em Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). "A votação de ontem representou a consagração dos corruptos. Aqueles que vão participar do segundo turno têm cúmplices do alto escalão da corrupção. Diante do resultado nas urnas, não me resta outra opção, desistir, de forma livre, do Recurso Ordinário judicial. Deixa o que povo arcar com as consequências do que eles fizeram", disse.
Garotinho afirmou ainda que, caso a Justiça decida pela realização de um segundo turno, não apoiaria nem Ruas nem Paes. Questionado se não estaria tirando da população a oportunidade de escolher entre os dois candidatos no segundo turno, ele disse que sua decisão não mudaria o cenário.