Ana Sátila vai brigar por medalha na canoagem slalom dos Jogos de ParisAFP

Rio - A atleta de canoagem Slalom com cinco medalhas em campeonatos mundiais e quatro participações olímpicas, Ana Sátila, encerrou sua passagem pelo Botafogo após dois anos. Em entrevista ao portal "ge", assim como seu namorado Lucas Verthein que se desligou do clube em agosto, a canoísta fez duras críticas a gestão do presidente João Paulo Magalhães Lins. 
"É muito triste. Foi uma realidade que eu precisei presenciar, foi uma vontade minha estar num clube para que a gente começasse ali a desbravar algo que não havia na canoagem ainda. Essa experiência infelizmente não foi boa e hoje eu acho que tenho até a obrigação de alertar os atletas que ainda estão ali presentes para realmente falar. O atleta tem que ser valorizado, ainda mais no nosso país e ainda mais nesse momento", afirmou.
Um dos principais expoentes da canoagem no país, Ana Sátila afirma que a decisão de saída não se dá pela falta de investimento. De acordo com Ana, na gestão de Durcésio de Mello, que ficou até o final de 2024, se sentia valorizada no Glorioso, mas a partir da nova diretoria de João Paulo Magalhães, a situação piorou drasticamente.
"Eu fui convidada a entrar no Botafogo. E eu conheci um cara que ele é fenomenal, Durcesio Mello. Ele era o presidente do Botafogo nessa época, quando eu entrei. E ele me recebeu assim de braços abertos, de uma forma tão carinhosa, tão bonita", disse.
"O Durcesio precisou sair do Botafogo, entrou o novo presidente. A partir de aí, o esporte olímpico foi esquecido, ele foi deixado de lado totalmente, não só a canoagem. Até o remo, que é um esporte tradicional do Botafogo. O pessoal é constantemente prejudicado, e o clube não paga um salário digno, a gente tá falando 200, 300, 500 reais para os atletas, para ter uma cobrança, sabe, absurda, algo assim passível de um uma condenação, um assédio moral, dentro do clube", completou.
A atual gestão, por meio de João Gualberto Teixeira de Mello, discorda sobre o suposto abandono dos esportes olímpicos. Em declaração, o vice-presidente do social Botafogo afirma que a categoria vem sofrendo com reestruturações e que o clube vive de poucas receitas, mas busca sempre remunerar os seus atletas.
"Atleta amador não tem “salário ” e, sim, ajuda de custo. O Botafogo hoje não tem mais a renda proveniente do futebol, que ficou com a SAF. Vivemos hoje da contribuição mensal dos sócios (taxa de manutenção) e de algumas receitas patrimoniais que ficaram com o clube (aluguel de lojas do shopping, aluguel da churrascaria etc). Mesmo assim, o Botafogo faz um esforço no sentido de remunerar os seus atletas de ponta com valores justos, mas não podemos fazer loucuras que comprometam o equilíbrio de receita e despesa", disse.
"Acho que qualquer atleta de alto rendimento de nível olímpico é naturalmente cobrado, embora no caso da Ana Sátila, que não tinha uma vice-presidência específica a quem se reportar, não vejo como ela pudesse ter esse tipo de cobrança", completou.