Presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao lado de Donald Trump durante sorteio dos grupos da Copa do MundoMandel Ngan / AFP
"Sou contra proibições e boicotes. Acho que não acrescentam nada (...) simplesmente contribuem para mais ódio", declarou Infantino, em uma entrevista ao canal britânico Sky News.
"No nosso mundo, dividido e agressivo, são necessárias ocasiões para que as pessoas possam sair e reunir-se em torno da paixão pelo futebol", acrescentou o dirigente de 55 anos.
Defesa do prêmio da paz da Fifa a Trump
Infantino aproveitou a entrevista para defender sua criticada decisão de conceder, em dezembro, o primeiro "Prêmio da Paz da Fifa" a Trump, que afirma ter acabado com vários conflitos ao redor do planeta desde seu retorno ao poder em janeiro de 2025.
"Objetivamente, ele merece", afirmou o dirigente suíço, que já demonstrou diversas vezes a sua sintonia com o presidente dos Estados Unidos.
A favor da reintegração da Rússia
Embora o conflito ainda esteja em curso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou recentemente às confederações esportivas que autorizem as equipes russas a participar de competições juvenis não profissionais.
"Esta exclusão não trouxe nada, só gerou mais frustração e ódio. O fato de meninas e meninos russos poderem jogar futebol em outras regiões da Europa seria algo positivo", argumentou.
Infantino acrescentou que a Fifa deveria considerar modificar suas regras para que nenhum país possa ser excluído das competições. "Na verdade, nunca deveríamos proibir um país de jogar futebol devido aos atos de seus líderes políticos".
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, celebrou em uma entrevista coletiva as palavras de Infantino.
Declarações 'irresponsáveis'
"Enquanto os russos continuarem matando ucranianos e politizando o esporte, a sua bandeira e os seus símbolos nacionais não têm espaço entre aqueles que respeitam valores como a justiça, a honestidade e o jogo limpo", disse.
O chefe da diplomacia ucraniana, Andriy Sybiga, lembrou no X que "679 meninas e meninos ucranianos nunca poderão jogar futebol: a Rússia os matou".

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