Lucas Pinheiro em ação nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-CortinaDimitar Dilkoff / AFP

O ouro olímpico de Lucas Pinheiro pelo Brasil ecoou também na Noruega. Neste sábado (14), os principais veículos do país onde o esquiador nasceu e iniciou a carreira dedicaram amplo espaço à conquista histórica no esqui alpino, com direito a elogios à trajetória e lamentos pela mudança de bandeira.
Lucas, de 25 anos, defendeu a Noruega até 2023. Após conflitos com a federação local, anunciou aposentadoria ainda no auge. Meses depois, oficializou a decisão de competir pelo Brasil, país de sua mãe. Em Milão-Cortina, escreveu um capítulo inédito para o esporte brasileiro.
O jornal 'Aftenposten', de Oslo, publicou reportagem extensa sobre a vitória e abriu espaço para uma análise do comentarista Daniel Roed-Johansen, que destacou a dualidade da imagem pública do atleta.
"(Lucas Pinheiro) Braathen é o pavão do esqui. É fácil se deixar deslumbrar por roupas coloridas, trabalhos como modelo e grandes ambições. Mas ninguém deve se enganar. Acima de tudo, ele é um atleta de elite dedicado", escreveu.
Já o 'Dagbladet' repercutiu a transmissão da emissora 'NRK' e a avaliação do ex-esquiador e comentarista Kjetil André Aamodt, que tratou a troca de federação como uma perda esportiva para o país.
"É um pouco frustrante que ele não seja atleta norueguês", afirmou.
Filho de pai norueguês e mãe brasileira, Lucas chegou a disputar os Jogos de Pequim-2022 representando a Noruega. Quatro anos depois, subiu ao topo do pódio sob a bandeira brasileira, resultado que, além de histórico para o Brasil, reabriu na Noruega o debate sobre a saída precoce de um de seus talentos mais midiáticos e competitivos da última geração.