Bruno Nazário comemora gol pelo Henan FC, da ChinaReprodução / CSL

Rio - Ex-jogador de Botafogo e Vasco, Bruno Nazário vive um novo momento na carreira. O meia, de 31 anos, atua no Henan FC, da China, onde se consolidou como um dos grandes destaques da equipe. Em entrevista exclusiva ao DIA, o atleta detalhou as principais diferenças que encontrou no futebol asiático.

"Minha adaptação ao futebol chinês e ao clube foi muito positiva desde o começo. Claro que a diferença cultural, idioma, do próprio futebol, existem, mas eu recebi todo o suporte dos profissionais do clube e isso facilitou bastante. Dentro de campo também foi muito positivo. Desde o começo meus companheiros e a comissão técnica tinham muita confiança em mim e pude ajudar o time com gols e assistências", disse.

"Existem diferenças sobre intensidade física e dinâmicas de jogo, aqui o calendário é mais espaçado e isso é muito importante para a nossa recuperação e pro nosso desempenho nos jogos. Mas, assim como em outros países, aqui também tem muitos brasileiros e outros estrangeiros jogando, e isso ajuda a elevar o nível da competição. O campeonato é bastante disputado", completou.
Contratado em 2024, o armador ostenta números expressivos na Ásia: foram nove gols e 11 assistências no primeiro ano, cinco gols e 11 passes decisivos em 2025, e já balançou as redes três vezes nos 10 jogos disputados em 2026.
A regularidade em alto nível transformou Nazário em referência da equipe, sendo eleito pelo próprio clube como o melhor jogador do elenco nas últimas duas temporadas e assumindo recentemente a emblemática camisa 10. O meia celebrou o protagonismo e a liderança criativa no time.

"Só tenho que agradecer toda a confiança que o clube e os meus companheiros têm em mim e isso faz com que eu consiga ter boas atuações. Vestir a camisa 10 sempre traz responsabilidade, mas eu gosto desse papel, sempre gostei na minha carreira."

Essa estabilidade ocorre em um cenário de transformação local. Após o período de investimentos astronômicos na década passada, a liga chinesa passou por uma reestruturação financeira profunda. Nazário, no entanto, garante que o campeonato não perdeu competitividade e elogiou o crescimento tático e estrutural que testemunhou desde sua chegada.
"A liga mudou bastante nos últimos anos, mas desde que cheguei aqui, em 2024, sempre vi jogos e os campeonatos muito competitivos. Além disso, os clubes são organizados, os torcedores são apaixonados também e os jogadores chineses estão evoluindo cada vez mais. É uma liga que está crescendo."

Antes de embarcar para o exterior, o meia teve o privilégio de defender dois gigantes do Rio de Janeiro. Pelo Botafogo, disputou 46 partidas, marcou quatro gols e deu sete assistências. No Vasco, participou de 17 jogos, anotando dois gols e uma assistência, integrando o elenco de 2022 que iniciou a transição para o modelo de SAF e pavimentou o retorno do clube à elite nacional.

"Tanto Botafogo quanto Vasco têm cobranças muito fortes, porque são clubes enormes e com histórias pesadas no futebol brasileiro. Claro que existem diferenças, mas o mais importante pra mim foi ter vestido a camisa dos dois times, é algo que tenho muito orgulho", relembrou.

Com passagens por outros clubes tradicionais como Cruzeiro, Athletico-PR, Guarani, Chapecoense e pelo futebol alemão, o camisa 10 do Henan FC valoriza a bagagem acumulada ao longo da carreira. Para o jogador, a rotina organizada na Ásia, somada às experiências vividas sob forte pressão no Brasil, consolidaram sua evolução profissional e pessoal.
* Texto de Bernardo Fonseca e Marcus Vinicius Balbino sob supervisão de Gabriel Salotti