O estádio Nova York-Nova Jersey será a sede da grande final e palco da estreia do Brasil contra Marrocos, nos Estados UnidosCharly Triballeau / AFP
A edição deste ano será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, incluindo cidades acostumadas a temperaturas altíssimas no verão, agravadas por uma umidade sufocante.
Os incêndios florestais frequentes no Canadá e na Califórnia representam riscos para a qualidade do ar. Ainda há os raios, trovões e relâmpagos: nos Estados Unidos, as tempestades de verão costumam provocar interrupções de eventos esportivos ao ar livre.
Em geral, aplica-se uma pausa obrigatória de 30 minutos quando uma descarga elétrica cai em um raio aproximado de 13 a 16 quilômetros. Cada novo relâmpago provoca outra interrupção de meia hora.
O Mundial de Clubes de 2025, ensaio geral para o torneio deste ano, teve atrasos significativos em seis partidas devido ao mau tempo, algo que cientistas preveem que pode se tornar cada vez mais comum à medida que os gases de efeito estufa continuem aquecendo o planeta.
Os sucessivos atrasos nas partidas do torneio de clubes levaram alguns críticos e treinadores a questionar se os Estados Unidos deveriam ser sede.
Abrigo em caso de trovões
Cientistas manifestam preocupação de que a mudança climática possa introduzir incertezas nos padrões de tempestades e talvez criar condições que tornem os raios ainda mais frequentes.
A especialista em clima Kelsey Malloy, da Universidade de Delaware, observou que "ainda" não foram "detectadas tendências fortes", mas, em geral, "espera-se que os raios aumentem" em algumas partes dos Estados Unidos, principal sede da Copa do Mundo.
Um clima mais quente "tem sido associado a índices de chuva mais intensos, assim como a correntes ascendentes de ar mais fortes", o que "equivale a uma maior eletrificação das nuvens e, portanto, a taxas mais altas de descargas elétricas", apontou.
"Muita gente talvez imagine que, se não consegue ver a tempestade, não vê os raios e ainda não ouviu os trovões, então não está sob uma ameaça real", disse ela à AFP. "Mas os raios podem cair a quilômetros de distância do local exato da tempestade".
A Fifa utilizará alguns estádios com tetos, ar-condicionado ou ambos — em Atlanta, Dallas, Houston, Los Angeles e Vancouver — para reduzir a preocupação com atrasos causados por tempestades ou calor extremo.
Mas muitos são a céu aberto. Isso pode levar à suspensão de partidas por causa de tempestades e expor jogadores e torcedores a temperaturas debilitantes.
Perigo por calor
Uma equipe de cientistas do clima publicou recentemente um relatório no qual apontava que o "calor extenuante" poderia afetar um quarto dos jogos, incluindo a final no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, em 19 de julho.
A Fifa determinou pausas para hidratação em cada tempo das partidas.
O médico Phd Chris Mullington, do Imperial College de Londres, disse que é possível que alguns jogadores de futebol "simplesmente não consigam jogar na intensidade à qual estão acostumados".
Os torcedores — dos quais muitos consumirão álcool sob sol direto e umidade — podem correr riscos maiores para a saúde.
Em geral, essas pessoas "não serão atletas de elite e podem apresentar muitas comorbidades que podem ser agravadas pelo calor", afirmou Mullington.
Um grupo de jogadores de futebol profissionais em atividade e aposentados, liderado pelo norueguês Morten Thorsby, entregou recentemente uma petição à Fifa na qual descrevia os efeitos do calor. "Pode fazer você se sentir confuso, tonto, provocar fadiga, cãibras musculares e algo pior", disseram.
Eles instaram a entidade a atualizar sua estrutura para estresse térmico na Copa do Mundo de 2026, uma medida que insistiram que deveria ser acompanhada de "uma ação climática coerente".

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