Presidente da Fifa, Gianni Infantino Geoff Caddick / AFP

A Rússia pode estar perto de retornar às competições de futebol no âmbito de seleções. A Fifa analisa se vai acompanhar a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), que derrubou provisoriamente a suspensão do Comitê Olímpico Russo. A medida tomada pela entidade permite a volta do uso da bandeira do país em torneios olímpicos.

Em resposta ao Estadão, a Fifa se disse "consciente" da medida tomada pelo COI. A análise será feita junto a membros filiados à entidade que comanda o futebol, o que deve incluir a Uefa na discussão. O órgão europeu mantém clubes russos fora dos torneios continentais desde 2022, quando foi iniciada a guerra na Ucrânia.

A Uefa não tende a facilitar uma possível decisão favorável à Rússia por parte da Fifa. Embora não tenha se pronunciado oficialmente, a entidade já encontrou resistência anteriormente sobre o tema.
Há três anos, quando houve uma tentativa de reintegrar as seleções russas para torneios juvenis, associações de futebol da Europa foram contra. Na base, o retorno da Rússia ao futebol será no Campeonato Mundial Sub-15, entre 22 e 31 de outubro deste ano. Já no profissional, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, que vai buscar a reeleição em 2027, precisará lidar com os interesses dos países europeus.
Embora a Copa do Mundo seja organizada pela Fifa, a Rússia disputa as Eliminatórias Europeias, conduzidas pela Uefa. Anteriormente, as federações e associações de Inglaterra, Alemanha e França, tidas como influentes no cenário da Europa, mostraram-se contrárias à reintegração dos russos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, havia sinalizado no começo do ano o desejo de promover o retorno da Rússia aos torneios. "Sou contra proibições e boicotes. Acredito que eles não trazem nada de bom, apenas contribuem para mais ódio", disse Infantino em uma entrevista à rede de televisão britânica Sky News em fevereiro.

Em maio de 2025, Infantino ouviu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de quem se aproximou nos últimos anos, uma sugestão para que a Rússia participasse da Copa de 2026 como incentivo para o fim da guerra. Infantino condicionou o retorno ao fim do conflito. "Esperamos que algo aconteça e que a paz se estabeleça para que a Rússia possa ser readmitida", disse o mandatário.
A Fifa baniu oficialmente a Rússia de todas as suas competições em 28 de fevereiro de 2022, em ação conjunta à Uefa após o começo da guerra. A medida do COI foi mais tardia, adotada em outubro de 2023.
A bandeira russa, porém, já estava fora dos Jogos Olímpicos após uma decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) por um motivo alheio ao conflito bélico. O tribunal concluiu que autoridades russas adulteraram dados do laboratório de testes de Moscou antes de enviá-los aos investigadores da Agência Mundial Antidoping (WADA) em 2019. A agência investigava uma série de violações por doping.

Em Tóquio-2020, a Rússia foi proibida de utilizar seu nome, hino e símbolo nacional. Os atletas competiam sob a sigla do Comitê Olímpico Russo (ROC). A medida de 2023 deu sequência, portanto, a um ato já em vigor, mas por outra razão.

A Guerra na Ucrânia não acabou. Um estudo, publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), em Washington, afirma que mais de 2 milhões de soldados russos e ucranianos foram mortos ou ficaram feridos nos quatro anos em que a Rússia trava guerra contra o país vizinho.