Presidente da Uefa, Aleksander ČeferinFabrice Coffrini / AFP

A Uefa convocou seus 55 membros para uma reunião de emergência nesta quinta-feira (30), com o objetivo de discutir a proposta da Fifa de vender ações da Copa do Mundo para investidores privados. A federação europeia debaterá possíveis medidas, como um boicote ao torneio, enquanto elabora sua resposta à entidade, de acordo com a 'ESPN'.

O plano, revelado na última terça-feira (28) pelo presidente Gianni Infantino, prevê criar uma nova empresa, a "Fifa Forward Enterprise (FFE)", que seria responsável pela administração não só do Mundial, mas de outras competições da entidade.

A previsão é de levantar 20 bilhões de dólares (R$ 102 bilhões) com a companhia e vender parte dela aos acionistas. Segundo Infantino, a iniciativa irá "desbloquear todo o potencial comercial e as oportunidades que a FIFA possui".

Federações detonam proposta

A medida gerou diversas reações negativas. A própria Uefa já havia detonado o plano de Infantino em comunicado oficial na última terça-feira. "A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo", afirmou o texto.

Já a Federação Inglesa de Futebol (FA) destacou que não tinha conhecimento algum da proposta. "Com base nas informações limitadas disponíveis, estamos profundamente preocupados com a falta de um processo adequado e de governança para que essa proposta chegasse a este estágio, bem como com seu aparente conteúdo e os princípios envolvidos."

Javier Tobias, presidente da La Liga, a primeira divisão espanhola, argumentou, por meio das redes sociais, que as competições da Fifa "não são propriedade pessoal de Infantino". Em seguida, disparou críticas ao mandatário. "Infantino não é a solução para a governança da Fifa. Ele é o problema. Estamos apenas mergulhando mais fundo no iceberg, e ainda resta muito a emergir à superfície."

Prazo estabelecido

A polêmica medida promete ter novos desdobramentos em breve. A Fifa estabeleceu o prazo de 19 de setembro para que as 211 federações filiadas à entidade aprovem o plano de investimento privado, o que daria a cada uma acesso a um financiamento de até 40 milhões de dólares (cerca de R$ 204,7 milhões).

A carta enviada às federações explica que um pacote inicial de financiamento de 10 bilhões de dólares (R$ 51 bilhões) estará disponível caso a proposta seja aprovada. Se for rejeitada, o montante disponível será de 2,7 bilhões de dólares (R$ 13,8 bilhões).