Jorge Jesus já avisou que Cristiano Ronaldo não terá privilégios na seleção de PortugalPatricia de Melo Moreira / AFP
Jorge Jesus minimiza crise, mas declarações fazem CR7 deixar delegação
Técnico da seleção de Portugal confirmou que craque ficaria fora de outra partida e também disse que 'nenhum jogador muda' suas ideias
Jorge Jesus tratou de minimizar a irritação de Cristiano Ronaldo por não jogar e ainda negou haver qualquer crise ou problema entre os dois e também deixou um recado claro a todos de que não daria privilégios. Mas as declarações do técnico pioraram ainda mais o clima e fizeram com que o craque português abandonasse a delegação nesta quarta-feira (30), na véspera do confronto contra a Dinamarca, pela Liga das Nações.
"Posso prometer o que eu quiser. Sou treinador e disse ao jogador que não era para jogar. 'Vou te levar para o banco. Se precisar de você por 30 minutos, vai jogar. Se não, não vai jogar'. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele (Cristiano) nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero", avisou.
Entretanto, o técnico garantiu que Cristiano Ronaldo iria treinar nesta quarta, após dois dias fora, mas o jogador nem mesmo subiu a campo e deixou o local, segundo o jornal 'A Bola'. Horas depois, o jogador anunciou que deixou a delegação de Portugal, após conversa com presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
"Após a coletiva de imprensa do técnico, e no seguimento de uma conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, tomei a decisão de deixar o estágio da Seleção Nacional. A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipe nacional, à qual sempre me dediquei. Agora é tempo de desejar boa sorte a Portugal e a todos os meus companheiros de equipe, sem exceção", postou Cristiano Ronaldo no Instagram.
A polêmica começou com a irritação aparente de Cristiano Ronaldo após a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no domingo (27). E aumentou com a ausência do jogador de 41 anos nos treinos de segunda e terça-feira.
Além disso, o presidente da federação precisou viajar à Dinamarca para tratar do assunto com os dois. Diante desse cenário, a imprensa portuguesa apontou um princípio de crise, o que Jorge Jesus garantiu não haver.
"Obrigaram-me a falar com Cris de um caso que não havia caso. 'Cris, em Portugal estão a falar tanto que temos, não estou a perceber o que está acontecendo'. Não havia nada para conversar", contou o técnico.
"O que falámos é o que ele disse na coletiva de imprensa. Ele disse: 'Estou aqui para você decidir. Quer que eu jogue, eu jogo. Quer que eu vá para o banco, eu vou'. O presidente veio, é óbvio, tem de estar aqui pelo que estão falando em Portugal. Quis saber o que se passou. Mas depois de jantar já tínhamos resolvido o problema que não era problema".
Jorge Jesus ainda aproveitou para explicar o motivo principal para a polêmica. Ele, inclusive, mudou a explicação original de que havia prometido que Cristiano Ronaldo jogaria 30 minutos, como disse após a partida contra a Noruega. Desta vez disse que não deu a certeza de que iria utilizá-lo.
"Não houve caso nenhum. Vou explicar outra vez. Eu disse ao Cris que ele não ia jogar estes dois jogos. Pensei durante o jogo que, se calhar, vou precisar e vai aquecer. E depois não o pus em campo. Qualquer jogador, quando andamos ali a aquecer 20 ou 30 minutos, e depois não entra não fica contente. Quanto mais o Cris ou se fosse Pelé, Maradona", continuou, complementando:
"É esse o estatuto. Os direitos são iguais e como treinador eu decidi que não entrava".
Cristiano Ronaldo fora de mais um jogo
Antes da decisão polêmica do jogador, o técnico de Portugal também havia confirmado que ele não jogaria contra a Dinamarca. Gonçalo Ramos continua como titular.
"Se tudo acontecer normalmente, é o Gonçalo que vai joga", confirmou Jorge Jesus, que inicialmente não pretende utilizar Cristiano Ronaldo mais uma vez e apenas no último compromisso desta Data Fifa, contra a Noruega.



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