O Brasil é o principal candidato a conquistar o hexa em 2026. Poderíamos estar falando da Copa do Mundo, mas como a realidade é muito diferente, a frase só faz sentido para a seleção brasileira de futebol de mesa, o tradicional botão.
A delegação brasileira que viajará à Hungria para disputar o Mundial da regra 12 toques (com bola de feltro), entre os dias 8 e 11 de outubro, é o time a ser batido em busca do sexto título seguido. Situação inversa dos famosos comandados de Carlo Ancelotti, que chegam aos Estados Unidos sob enorme desconfiança, com jejum de 24 anos e sem figurar na primeira prateleira dos grandes favoritos.
Entre os 16 atletas convocados para integrar a delegação em busca do hexa no futebol de mesa, dois atuam pelo Vasco, Igor Quintaes e Fernando Jesus, o Nando, e um pelo Fluminense, Marcus Vinicius Constantino. Eles disputarão com atletas de Hungria, Romênia, Sérvia, Polônia, Portugal, Itália, Japão e Estados Unidos.
"A Regra 12 Toques é de origem brasileira. Então, jogamos há mais tempo. Começamos brincando como crianças jogando botão e, depois, mais velhos, praticando o esporte futebol de mesa. Apesar da grande evolução dos europeus e de jogarem em casa, ainda levamos vantagem", explica Igor que tem 45 anos, é jornalista e está federado desde 2000.
Ainda assim, o Brasil tem adversários que evoluíram nos últimos anos e podem atrapalhar. Portugal, Itália e Estados Unidos têm brasileiros naturalizados e são apontados como fortes concorrentes.
Seleção brasileira que garantiu o penta do Mundial de futebol de mesa em 2022Arquivo pessoal
Mas mesmo assim, o hexa é uma realidade possível. E a esperança dos botonistas é de que possa haver uma dobradinha brasileira também no futebol, apesar de não terem muita confiança no time de Carlo Ancelotti que vai para a Copa do Mundo.
"Hoje acho que temos mais chances de ganhar o hexa no futebol de mesa. Temos domínio absoluto, estamos indo com a nata do esporte do Brasil e temos tudo para fazer um grande campeonato. Tomara que dê tudo certo pra nós", avalia Nando.
"A Seleção está devendo há tempos um futebol bem jogado, o que nos deixa com dois pés atrás em relação ao titulo da Copa do Mundo. Nesse caso eu apostaria na seleção de futebol de mesa pra trazer esse hexa para o Brasil", admite Marcus Vinicius.
"Quem sabe o Brasil não será hexa no campo, antes? Este ano, assim como em 2022 não considero o Brasil favorito. Chances tem, mas considero remotas por essa ser a pior seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Mas vamos torcer. Como vascaíno, torço pro Rayan ter uma chance", completa Igor.
O histórico dos representantes do Rio no Mundial
Do trio de clubes cariocas que estará na Hungria, Marcus Vinicius é quem possui mais títulos mundiais pelo Brasil. O designer de interiores de 39 anos é tricampeão em 2015, 2018 e 2022 e buscará a quarta conquista seguida.
"Quando comecei a jogar botão eu jamais imaginaria algo parecido com isso. É uma experiência incrível, a começar por ter que jogar e me comunicar predominantemente em inglês. Você olha pro outro lado e não vê apenas um atleta jogando, você vê a seleção de um país contra a sua", afirma Marcus Vinicius.
Marcus Vinícius Constantino é tricampeão do Mundial de futebol de mesa com a seleção brasileiraArquivo pessoal
Já Nando é o atual campeão brasileiro, conquista inédita que conseguiu em 2026, e esteve presente na campanha da seleção brasileira de 2018. No mesmo ano, o publicitário, designer gráfico e analista de comunicação de 33 anos levou os títulos tanto no individual quanto por clubes defendendo o Vasco.
"Jogar contra outros países representando o Brasil é como um sonho de criança realizado. Existem as diferenças de linguagem e de cultura, mas, no final, o que decide é a habilidade, precisão do jogo, experiência na prática do esporte. No meu caso, desde a primeira participação no Mundial quando consegui conquistar o título individual, por equipes e seleções, eu me tornei referência internacional antes mesmo de ser referência nacional", celebra.
"Quando a gente conquista algo importante na nossa vida passa todo um filme na cabeça de toda a trajetória que foi, desde o início da prática do esporte até o melhor desenvolvimento. Sinceramente eu não esperava, por mais que eu acreditasse que aquele tinha sido meu melhor ano no futebol de mesa".
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Já Igor é campeão mundial pelo Brasil e pelo Vasco, ambos em 2018. Pelo clube do coração ainda levou o troféu em 2014.
"Em 2012 o Mundial foi no Brasil e era muita responsabilidade jogando em casa. É muito satisfatório para mim defender o Vasco e o Brasil em outro país num esporte que sou apaixonado".
Atleta do Vasco, Igor Quintaes conquistou o Mundial de futebol de mesa com a seleção brasileira em 2018Arquivo pessoal
A delegação brasileira no Mundial de futebol de mesa
Além dos atletas de Vasco e Fluminense, a seleção brasileira de futebol de mesa na regra 12 toques ainda conta com quatro jogadores do Palmeiras (Quinho, Jefferson, Mauro e Michilin). Os outros convocados são: Vini, Arthurzinho, Giorgio e Mario Fiore (Círculo Militar), Muradian (Maria Zélia), Ronaldo Baltazar (Ricetti Calcio Ballila), Gustavo Neto (Quixadá) e Éder Sergio (AABB Caruaru-PE).
A equipe é formada por quatro titulares, que poderão ser trocados ao longo das partidas. Todos os integrantes da delegação brasileira também participarão da categoria individual.
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